domingo, 18 de janeiro de 2009

Poema da Lata

A história vivida, contada, encantada, virou sonho.
O sonho vivido, sentido, narrado, virou história.
História e sonho se confundem em outros sonhos e histórias.
Sonho e história fazem nova história e despertam novos sonhos.


Os valores que possuía o sobrevivente da guerra urbana,
Remanescente do que dizem ser a primeira favela brasileira,
Impressionavam o jovem de olhos miúdos,
Que atento às suas histórias e causos,
Energizou suas esperanças de transformação.

Ouviu, sentiu, aguardou o seu retorno,
Quando não esperava mais o reencontro,
Surpreendeu-se com o inimaginável,
Com o desprendimento material de quem nada tem.

Percebeu que mesmo na pobreza,
Quiçá miséria,
Há espaço para valores distintos,
Para entender que há questões que valem mais,
E obviamente isso não provém da miséria.

No dia posterior, com o sentimento à flor da pele,
Relatou para os companheiros que quer ver na mudança pretendida,
Todo o sentimento ali vivido,
Buscava eco.

Como não se controla o que daí resulta,
A história vivida, contada, encantada, virou sonho.
O sonho vivido, sentido, narrado, virou história.
História e sonho se confundem em outros sonhos e histórias.
Sonho e história fazem nova história e despertam novos sonhos.

O homem de valores, roupa preta, pai,
Catador de latas,
Virou sonho.

(Flávio Chedid e Marcelo Ribeiro)

Nenhum comentário:

Postar um comentário