terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Quando as Malvinas tornaram-se Finsocial

Voltou a discussão sobre as Ilhas Malvinas, que se situam no sul do continente americano e foi motivo de guerra entre a Inglaterra e a Argentina, no ano de 1982. Nesse mesmo ano ocorreu a segunda ocupação popular de terras urbanas em Goiânia depois de vários anos. O impedimento da realização de ocupações foi decorrente da Ditadura Militar. Mesmo que esse período já fosse caracterizado como de transição democrática, o clima estabelecido nessa ocupação foi de guerra. Por este motivo, a sabedoria popular passou a chamar o acampamento que fora estabelecido de Malvinas, referência que se fazia àquela guerra que estava ocorrendo no sul do continente.

Porém, depois de muita pressão do governo e de sua polícia para retirar as famílias que realizavam a ocupação, percebeu-se que aquela ação popular tornara-se fato consumado. Por isso, o governo da época foi obrigado a encontrar outra solução para o problema, já que o lugar onde as pessoas estavam acampadas não poderia ser utilizado para seu assentamento. Como houve muita demora para o governo encaminhar essa questão, passou-se a dar a desculpa que o assentamento não se efetivava devido aos recursos que deveria ser conseguidos daqueles impostos que tem finalidade social, mas que é comumente falada de impostos de fim social.

Houve repercussão dessa desculpa e as pessoas passaram a falar fim social pra cá, fim social pra lá, até que tornou-se do conhecimento de todo mundo. Quando o governo conseguiu a solução – a transferência daquelas famílias para uma área próxima – fez questão de reunir todos no maior estádio da cidade – Serra Dourada – e anuciou que aquele bairro que estava sendo entregue, com seus lotes, é evidente, seria chamado de Finsocial. Ou seja, o fim social, se juntou, por isso trocou o m por n e tornou-se Finsocial.

O restabelecimento da discussão sobre as Ilhas Malvinas nos faz pensar na possibilidade de uma nova guerra entre Inglaterra e Argentina e se a referência ainda pode ser utilizada, não seria nenhum absurdo apelidar o Finsocial de Malvinas, já que o que se vive nesse bairro hoje é uma situação que se assemelha à guerra. É difícil um mês que não tenha jovens sendo assassinado. E não é só isso, como se fosse pouco, há uma tensão muito grande nos moradores, por medo de traficantes, medo da polícia e, soma-se a isso, um grande descaso do poder público. Talvez a volta da discussão as Malvinas possa, quiçá, reacender a discussão sobre a Malvina goianiense, que se tornou Finsocial, mas não é vista e nem considerada sob o objetivo social, pelo menos até hoje.

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