<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404</id><updated>2011-09-21T12:26:20.349-03:00</updated><category term='Com verso e reverso'/><category term='Conversa séria'/><title type='text'>CONVERSA COM VERSO</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-4838850326799325114</id><published>2011-05-14T12:40:00.002-03:00</published><updated>2011-05-14T12:43:05.337-03:00</updated><title type='text'>Acerto de Contas com o Passado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Na caminhada que fazia pela orla da praia, ao contemplar ora as pessoas que cruzavam seu caminho, ora a paisagem que por muitas vezes conduzia o seu olhar ao horizonte, Rodrigo viu um rapaz jogar com a cabeça os seus cabelos lisos para trás, como se os quisesse tirar do seu rosto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Aquela cena tomou toda sua atenção. Os pensamentos de Rodrigo voltaram-se para dentro de si, já não percebia os transeundes que por ele passava, tampouco as belezas que a natureza oferecia aquele lugar. Uma dor profunda atingiu seu coração que o fez diminuir lentamente a velocidade de seus passos, saindo em direção à areia da praia, longe de todo mundo. Ali, resolveu sentar no chão e aos poucos foi redobrando suas pernas, colocando-as próximas ao seu corpo, e em seguida abraçando-as, como se quisesse por meio desse gesto encontrar algum conforto. As lágrimas desceram do seu rosto, tamanha era a dor que sentia naquele momento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;As memórias que vinham a sua cabeça não possuía qualquer linearidade cronológica, mas iam se ligando uma a outra como se fosse um novelo de lã a puxar os acontecimentos que Rodrigo viveu em companhia de Márcio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Foi assim que ao lembrar que sempre passavam juntos as férias escolares, pois os pais de Márcio fazia questão de carregar o melhor amigo do seu filho para onde quer que fosse, seus pensamentos foram remontados às brincadeiras de infância. Lembrou que sempre ganhava de Márcio na disputa no videogame, o que lhe causava um certo desconforto; nas no futebol reconhecia a superioridade do seu amigo, o que lhe proporcionava algum reconhecimento entre a garotada da rua e da escola.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não era apenas no futebol que Márcio se destacava, em outros esportes ele também era muito habilidoso. No atletismo, dificilmente conseguia ultrapassá-lo em alguma corrida que disputavam. Engraçado foi perceber que esse era um dos tipos de brincadeira que sempre faziam quando já estavam cansados ou quando não tinham outra coisa para fazer. Era motivo que encontrava para continuar junto do seu amigo e não deixá-lo ir embora – uma estratégia inconsciente que montava, sem demonstrar seu desejo ao amigo –, pois sabia que Márcio gostava muito de correr e mostrar sua superioridade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E foi justamente por isso, por querer mostrar sua superioridade, que Márcio foi o mais atrevido da turma, no alto de seus 13 anos de idade, quando arrancou o seu primeiro beijo de uma menina da oitava série, aquela que todos os alunos da escola admiravam sua beleza. Ninguém até aquele momento havia conseguido tanta proeza, apesar de dizerem o contrário nas conversas que tinham em turma. Márcio, naquele momento, se destacou entre a garotada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mas reconhecia que havia se tornado um rapaz namorador tanto quanto Márcio. Chegou inclusive a ter duas namoradas ao mesmo tempo, o que lhe exigia grande habilidade. Mas não teria tido o sucesso nessa empreitada não fosse a ajuda de seu amigo, sempre pronto para encobrir todas as suas mentiras. Lembrou que Márcio o conhecia a tal ponto, que houve situação que não foi preciso lhe antecipar o que estava acontecendo para que ele confirmasse a história inventada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Também não foi raras as vezes em que escondeu dos pais de Márcio que ele havia andando de bicicleta pelo bairro, sem que tivesse consentimento para isso, quando seus pais saíam para o trabalho. Sair de bicicleta à deriva era como uma grande aventura, quando experimentava o prazer da liberdade, principalmente da liberdade proibida, o que exigia de sua parte que guardasse aquilo em segredo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Era tantos os segredos que possuíam que somente nesse momento se dera conta disso. Alguns eram aqueles segredinhos de crianças, outros possuíam maior importância, mas não havia problema algum que fossem revelados, chegava a ser motivo até brincadeira cada vez esses acontecimentos guardados a sete chaves no passado eram contados. Mas sabia que quando foram necessários, esses segredos contribuíram para estabelecer a cumplicidade que passou a existir entre os dois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Todos percebiam que eles eram amigos inseparáveis. Era a tal ponto que em muitas situações as pessoas perguntavam a um, sobre o que tinham conversado com o outro, como se eles fossem uma só pessoa. Engraçado era quando as pessoas sustentavam que era com Márcio que havia conversado quando na verdade foi com Rodrigo, ou o contrário. Se divertiam nessas situações, ao se reconhecer como grandes amigos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Por muito tempo, sempre que estavam juntos ou iam a algum lugar andavam abraçados um ao ombro do outro. Não importavam o que os outros garotos falavam, que aos poucos foram deixando de tirar sarro dos dois, porque viam que não se tratava de nada de mais. Mesmo nessas ocasiões em que andavam abraçados, Márcio sempre jogava com a cabeça seus cabelos lisos para trás, fazia isso constantemente a ponto de nem perceber; era uma de suas manias, tornou-se uma de suas marcas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Nesse momento, sentado na areia, com as pernas mais esticadas, um sorriso saiu do seu rosto. A lembrança de tantos acontecimentos que viveram juntos, a amizade, o companheirismo, a cumplicidade que tinham um pelo outro, era motivo de alegria, mesmo que seu amigo já não estivesse ali consigo para partilhar outros momentos que vida poderia proporcionar. Parecia que até aquele momento esta – a vida – havia estacionado. Foram dois anos de sofrimento, sem querer aceitar que nem tudo está sob o controle humano; que há mais dúvida e incerteza sobre nossa existência do que podemos compreender. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Refletir sobre tudo isso significava, de certo modo, um acerto de contas com o passado; o passado que foi tão intenso e significativo em sua vida e que, por isso mesmo, o impedia de avançar em direção ao futuro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não que tivesse que ignorar o que viveu, esquecer o que se passou; não era isso; era algo mais profundo; era preciso saber guardar para sempre, no seu lugar devido, esse passado que existiu, reconhecer o que significou e poder olhar para o horizonte, sustentado por aquilo que havia se tornado enquanto pessoa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E o que havia se tornado não poderia ser explicado ou mesmo compreendido para seu próprio ser sem referência ao melhor amigo que tivera, que ficará guardado para sempre em seu coração, por mais vazio que ele se encontre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-4838850326799325114?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/4838850326799325114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2011/05/acerto-de-contas-com-o-passado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4838850326799325114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4838850326799325114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2011/05/acerto-de-contas-com-o-passado.html' title='Acerto de Contas com o Passado'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-593048206511555269</id><published>2011-03-22T22:59:00.000-03:00</published><updated>2011-03-22T22:59:07.049-03:00</updated><title type='text'>JOGO TRUNCADO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;Por&lt;/em&gt; Felipe Addor &lt;em&gt;e&lt;/em&gt; Marcelo Ribeiro&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quatorze de junho de 1978, primeiro jogo do Brasil da semi-final da Copa do Mundo, que acontecia na Argentina. A família inteira em frente à televisão, na pequena sala da pequena casa. A tensão era grande. Após a histórica vitória de 70, o Brasil decepcionou em 74, e tentava mostrar de novo ao mundo sua superioridade. Apesar de enfrentar um adversário teoricamente mais fraco, o Peru havia feito uma primeira fase brilhante, terminando como líder do seu grupo, à frente inclusive da temida Holanda, atual vice-campeã mundial. Já o Brasil havia feito uma primeira fase sofrível, tendo garantido sua passagem à segunda fase apenas no último jogo; um grande sufoco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Horas antes do jogo começar, Dona Margarida havia entrado em trabalho de parto, no quarto ao lado. Tudo foi feito com o apoio da parteira já conhecida de todos. Afinal, ela que ajudara no nascimento dos outros meninos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seu Francisco estava ansioso com o nascimento do quinto filho. Era como se fora a primeira vez. Mas, ao mesmo tempo, não sabia controlar sua ansiedade na expectativa de boa atuação da seleção brasileira. Por determinação da parteira, o pai tinha que acompanhar o rebento da sala, o que aumentava seu nervosismo. Estava dividido, mas concordara; pelo menos não perderia a partida de futebol.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando começou o jogo, por muitos momentos não se lembrava do que estava ocorrendo ao lado, mas quando lembrava, ficava muito apreensivo. A simultaneidade dos acontecimentos aumentava a tensão, e cada minuto pareciam dez; e nem o filho nascia, nem o gol saia. Não sabia qual sentimento controlar, para que lado olhar. Por vezes, se percebia gritando “cruza na área” para sua mulher, e “força amor” para a televisão, tamanha a intensidade dos simultâneos sentimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dona Margarida sofria. As contrações eram enormes, e o tamanho da cabeça do menino fazia frente a uma bola de futebol. Suas dores eram ora acalmadas, ora estimuladas pela parteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos 15 minutos do primeiro tempo, falta para o Brasil na intermediária. Toninho, o lateral direito, pega a bola com carinho, coloca no chão; gira a bola como procurando o ponto exato de chutá-la. Vagarosamente, dá treze passos para trás, tomando distância para a esperada pancada, única alternativa para um falta de tão larga distância. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que surge Dirceu, que estava a um metro da bola com a mão nas cadeiras, e, pegando o arqueiro de surpresa, cobra a falta com perfeição, numa parábola de aula de física, de perna canhota no ângulo esquerdo do inconsolável goleiro Quiroga. A sala explode: GOOOOOOOOOOOOL. No quarto, um choro eloquente surge. Os gritos e o choro confundiam-se e anulavam-se, mantendo a distância entre os envolvidos em cada evento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pai da criança, único na sala que possuía capacidade emotiva-auditiva de ouvir o choro, corre desesperado até o quarto, comemorando o nascimento do seu filho, embebido pela euforia do tento da seleção. Nada poderia ser mais emocionante que isso. Depois de pegar a criança em seu colo, não titubeou em afirmar: “esse aqui vai ser jogador de futebol. Seu nome vai ser Dirceu”. O segundo gol do jogador brasileiro no jogo apenas ratificou a acertada escolha paterna. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquele humilde e aconchegante lar estava tomado de plena alegria. O Brasil fez mais dois gols e, naturalmente, motivo para festejar não faltava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dirceu, com seus 15 anos de idade, havia ouvido essa história várias vezes. E por muito tempo acreditou que poderia ser jogador de futebol. Reconhecia-se como um grande jogador, pois todos elogiavam sua habilidade em campo. Não era muita gente, é verdade, visto a pequena população de sua cidade do interior. Mas, como o peculiar episódio do seu nascimento chegou ao conhecimento de todos, o garoto crescera sendo estimulado a tornar-se jogador. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo com muitas dificuldades, a família se empenhou para que Dirceu fosse fazer um teste nos times da capital, criando a oportunidade para que a profecia virasse realidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi em dois times de renome. Foi primeiro ao seu time do coração, com a convicção que poderia defender a camisa do time que tanto torcia. Sem muito sucesso e com muita decepção procurou o time rival na esperança de ver seu sonho realizado, mas também ali não encontrou a resposta que queria ouvir. Sua idade atrapalhou, afinal, segundo os avaliadores, os fundamentos do futebol para profissionalização têm que ser incorporados a partir dos 12 anos, ou antes. Já não era o caso de Dirceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A decepção tomou conta de seus pensamentos. Sentia uma dor enorme pela derrota fora de campo. Todo seu futuro estava jogado nisso. O que faria agora, se, até aquele momento, tudo o que fez foi direcionado para se tornar um jogador de futebol. Não via em si mesmo qualquer outra habilidade. Seu desempenho escolar era pífio, numa escola de má qualidade. Teria que começar de novo, construir outros sonhos para o futuro; mas parecia haver um imã mental que, qualquer caminho diferente que ele começava a imaginar, fugia do seu controle e parava dentro do campo de futebol. Tudo isso passava pela sua cabeça de forma desconexa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De um dia para outro, aproveitando a rapidez com que as más notícias correm, a população começou uma mobilização oculta na cidade para apoiar uma nova vida para o rapaz. Suas lamúrias sobre o tempo investido que perdeu nos gramados eram rechaçadas pelo reconhecimento do quanto ele havia aprendido a disciplina, o trabalho em equipe, o respeito ao adversário, a dedicação. Quem da cidade não sabia das noites de bebedeiras dos seus amigos, que ele recusava sem pestanejar por causa do jogo no dia seguinte? Além disso, dentro de campo era um líder; quase sempre carregava a braçadeira de capitão. E todos reconheciam seu papel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A solidariedade da população daquela cidade fez pulularem oportunidades de trabalho para Dirceu. As pessoas quase brigavam para que ele fosse trabalhar no seu açougue, na sua papelaria, na sua lojinha. E sua habilidade de lidar com as pessoas rapidamente o tornou um ótimo funcionário nas pequenas biroscas por onde fora contratado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos poucos, foi ganhando espaço no comércio da cidade; de faxineiro na padaria Pão Bom passou a atendente na farmácia Saúde; a caixa na loja de roupas Só Sucesso; a gerente no supermercado Bom Bonito e Barato. No entanto, como em qualquer cidade pequena interiorana, esse crescimento é limitado; inclusive no salário. Longe de ter o perfil de poupador, Dirceu aproveitava-se da sua habilidade no comércio para ajudar a melhorar a casa de sua família, que muito pouco tinha mudado desde aquele gol no Peru; os almoços de domingo, agora sempre eram acompanhados de refrigerante. Isso sem falar nos pedaços de picanha que recebia de sobras do açougue, do desconto que tinha no supermercado, das roupas para a irmã que ele conseguia pela metade do preço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anestesiados pelas melhorias em seu cotidiano, seus pais não impuseram muita resistência quando Dirceu avisou que ia largar a escola, pois estava atrapalhando sua carreira. Mesmo que seus pais tenham falado nos seus 16 anos de vida sobre a importância dos estudos, seria quase um desrespeito, uma afronta, seus progenitores quererem atrapalhar seu futuro: “ou vocês querem ficar a vida toda nessa miséria?!”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com 20 anos, vendo que aquela cidade era pequena demais para seu potencial, resolveu arriscar a vida na cidade grande. Foram em vão os apelos dos familiares, e mesmo do seu avô, que havia passado quarenta anos como servente de obra e dava graças a Deus por estar de volta à sua terra natal. Ademais, estando na capital estaria mais perto de seu grande sonho de ver um clássico entre seu time de coração e seu grande adversário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, como diz o poeta, o sonho feliz de cidade rapidamente torna-se realidade. Como de uma hora para outra, aquela facilidade de lidar com as pessoas, aquela sagacidade no meio comercial, evaporam-se frente à nauseante face de uma grande cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atordoado, ele percebe que as pessoas não se falam bom dia na rua e nem oferecem um cafezinho. Para comer, tem que pagar antes; fiado é palavrão. Não entende porque andam tão depressa, e buzinam ao invés de pedir licença. De repente, a apertada casa de sua família torna-se uma mansão frente à quitinete suja que sua parca poupança permite pagar, e o insistente barulho do acasalamento felino no jardim vira um murmurinho perto do barulho do trem que treme sua casa dia e noite. As boas referências que ele trazia do trabalho no Bom Bonito e Barato, na Só Sucesso, surpreendentemente não abalavam em nada os empregadores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas nada o assustou mais do que os moradores de rua. No começo, não entendia porque aqueles senhores e senhoras, aqueles meninos e meninas, às vezes com bebês no colo, não voltavam para suas casas. Tudo bem, na sua cidade ele conhecia amigos que brigavam com seus pais e fugiam de casa por um ou mais dias. Mas daí a levar colchão e cobertor, montar barraca e pendurar roupa?! Via isso com muito espanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desnecessário dizer que não tinha muitos amigos nesse novo ambiente. O pouco de relação que conseguira construir foi com outros frequentadores de um bar próximo de sua quitinete, onde procuravam assistir em todos finais de semana os jogos do campeonato estadual. As conversas eram quase todas sobre futebol: os jogos históricos, os lances controversos de partidas, os gols inesquecíveis e, claro, de vez em quando sobrava algum comentário sobre mulheres. Mas eram amizades de bar, nunca se chegava à profundidade dos assuntos. A realidade é que mesmo nesse contexto, sentia-se sozinho. A tristeza só era extemporaneamente aliviada quando seu time ganhava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos poucos, as dificuldades que encontrava para conseguir emprego, o aluguel e a cara comida, que iam sugando suas reservas, foram o fazendo compreender o porquê daqueles moradores de rua. E assustava-se cada dia mais, pelo medo de poder, em um prazo não muito longo, estar ao lado deles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de dois meses, com sua baixa qualificação profissional e pouca escolaridade, conseguiu a duras penas um emprego de entregador, na pizzaria onde o amigo de um primo era assistente de cozinha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tinha carteira assinada. Recebia uma remuneração fixa que mal garantia seu aluguel. O que dava sua renda mesmo eram as gorjetas. Seu desespero fazia com que fosse trabalhar todo dia, 14 horas por dia, num ritmo que derrubaria qualquer um. Por vezes, seu cansaço era tanto, que a moto é que parecia o estar guiando. Trabalhando no limite de sua capacidade física, não era raro ficar doente. Mas para não ir trabalhar, era preciso estar realmente inabilitado, pois representava, além do distanciamento das gorjetas, um corte percentual no seu salário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aprendeu que receber gorjetas é uma arte. Sua facilidade no trato com as pessoas contribuiu para que ele fosse construindo uma elaborada estratégia para aumentar sua renda. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro, era preciso identificar o cliente. Se fosse um casal, era importante dirigir-se ao homem, para evitar seus olhares oblíquos ciumentos. As meninas são simpáticas, mas é importante ficar a um metro da porta para que elas não se sintam ameaçadas. Os idosos solitários adoram que pergunte como foi seu dia, para que tenham a oportunidade única de contar algo que já não interessa a ninguém. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas dicas do garçom da pizzaria o ajudaram a montar as frases que faziam os clientes sentirem-se bem servidos, “confira se é o sabor que o senhor pediu”, “por favor, veja se está quentinha”. Até ao papel de mâitre pizzaiolo ele se prestava, “se vocês gostam dessa de gorgonzola, da próxima vez tentem a seis queijos”, “essa pizza o senhor pode pedir com azeitona que fica uma delícia”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sua estratégia de sedução era tão bem montada e precisa, que, com seu tato e experiência, tornou-se capaz de adivinhar o valor das gorjetas. Analisando o bairro, o prédio, a porta do apartamento e as características do cliente – idade, vestimenta, adereços –, ele tinha um grau de acerto de 80%, “claro, deixando uma margem de um real para mais ou menos”, como ele gostava de dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi justamente através da economia que fizera com as gorjetas, que teve a oportunidade de assistir ao grande clássico estadual. Era uma oportunidade muito especial. Só agora, depois de 23 anos, tendo se dedicado tanto e abandonado o futebol, passado por poucas e boas na grande cidade, ele ia assistir ao seu time do coração ao vivo e a cores, podendo xingar o juiz, reclamar das caneladas dos atacantes aos berros. Foi um momento mágico em meio a tanta dificuldade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era como se aquele jogo fosse um ponto de inflexão em sua vida, e tudo dependia da vitória do seu time de coração. Depois de mais de dois anos comendo o pão que o diabo amassou, ele já estava numa situação limítrofe, quase optando por voltar à sua terra natal. A decisão de ir ao jogo foi como uma chance final que estava dando a si mesmo, como um escanteio aos 47 do segundo tempo que até o goleiro sobe para cabecear. A derrota do seu time na sua estreia na arquibancada representaria uma profunda tristeza, a gozação dos amigos, e a provável volta à casa. Já se vencesse, o destino estaria em aberto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De fato, sua vida tomou outros rumos depois desse jogo. Ao chegar, estádio lotado, já quase começando o jogo. Depois de muitos empurrões e cotoveladas, conseguiu sentar ao lado de um senhor que aparentava ter uns 50 anos. Logo percebeu, de rabo de olho, que ao lado desse senhor havia uma moça, morena de olhos cor de jambo, com a cabeça encostada em seu ombro, na ansiedade e impaciência do início do jogo. Percorreu os olhos pelo estádio quase que comendo com olhos aquele espetáculo, tantas vezes visto na televisão. Apesar da animosidade com o adversário, não desgostou de sua torcida. Tanto achou que estavam fazendo também uma festa bonita que quase comentou com o senhor; mas depois percebeu que não devia. Na percorrida de olhos, acabou comendo com os olhos também sua vizinha morena, que a partir daí passou a ter mais atenção dos seus olhos que o espetáculo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jogo começou e aos poucos os pensamentos sobre a moça que o envolvia foram se dissipando, ao mesmo tempo em que começava a reclamar da marcação, das entradas duras do adversário. Começou a falar com o senhor do seu lado, falando que o time estava sem pegada, que o técnico tinha que ter trocado o volante pelo armador. O jogo truncado parecia prometer um sonífero zero a zero, até que nos minutos finais, o inesperado: num chute despretensioso do volante, a bola desvia no zagueiro e entra. A torcida vai à loucura. Dirceu se agarrou aos vizinhos como fossem velhos amigos ou irmãos. Quando percebeu, estava apertado contra o ombro do senhor e os peitos da morena e logo se conteve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A partida terminou. Saiu do estádio com aquela singela sensação de torcedor de que o time havia ganhado porque ele estava ali. Ele e seu vizinho foram conversando até a saída do estádio. Apresentaram-se, Dirceu, Ramon; e teve a confirmação que a moça que o acompanhava era sua filha, Aline. O senhor havia sutilmente deixado escapar um certo incômodo quando Dirceu se apresentou, e não se conteve em perguntar a inspiração do nome. Dirceu ficou atônito quando, logo da sua orgulhosa explicação, Ramon respondeu: Fui eu; e Dirceu: Eu o quê?; Eu que tomei esse gol. Se perguntássemos a cada brasileiro qual o nome do goleiro do Peru no jogo contra o Brasil na Copa de 1978, certamente 99,9% nem conseguiria arriscar; mas estávamos diante de um representante da amostra de 0,1% que, por motivos diversos e peculiares, responderia: Ramon Quiroga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A inusitada coincidência levou Ramon a convidar Dirceu para uma cerveja, a qual acompanhou toda a história do peruano sobre sua vinda ao Brasil logo depois da decepção de 1978. No bar, com menos gente, barulho e fumaça, ele pode apreciar com mais calma a beleza de Aline; que também estava atenta aos traços fortes e masculinos de Dirceu. Saíram dali como amigos, trocaram telefone, prometendo assistir outros jogos juntos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Instaurou-se uma felicidade no coração de Dirceu que ele jurava que havia sido esquecida em sua cidade natal. Era uma mistura que às vezes destacava a vitória do seu time, outras vezes o prazer de ter conhecido a vítima do seu homenageado, e mais vezes ainda os olhos de jambo da bela Aline. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dos três sentimentos, o último era o mais teimoso. Por toda a semana não parou de pensar em Aline. Chegou na semana seguinte, queria ligar para Ramon, combinar de ir ao jogo; mas como seria possível ele ir a dois jogos num mesmo mês? Com que dinheiro? Do jeito que andam os preços de ingressos de futebol, em breve ele mal ia poder ir a um jogo por semestre. Assistindo aos jogos pela televisão, mal conseguia prestar atenção no jogo, angustiado por não estar sentado perto de Aline. Sofria nos gols por lembrar daquele abraço involuntário, daquele volume se apertando em seu peito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A insistência de sua mente em pensar nela vinha até atrapalhando sua eficiência no trabalho. Já não tinha mais aquela habilidade para inchar as gorjetas. Havia se tornado um entregador como outro qualquer. Numa noite chuvosa como muitas outras, tocou a campainha com a pizza quente na mão, cabeça baixa. De repente, a surpresa: antes de ver quem era, saltaram sobre seus olhos os olhos cor de jambo, que só tinha visto na grande vitória no clássico. Só depois de ver esses olhos ele articulou o nome na nota, Ramon, ao pai de Aline.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já ela, em virtude do capacete e da roupa preta e volumosa contra a chuva que ele usava, não o reconheceu de primeira; mas logo em seguida seu coração explodiu em palavras: É você, Dirceu? Ramon, lá do fundo, não pôde acreditar e o chamou para dividir a pizza. Dirceu gaguejou; pensou no chefe, nas pizzas a entregar, nas gorjetas que ainda tinha a ganhar, no bom papo do coroa Ramon, nos olhos e peitos de Aline. Agradeceu o convite, mas tinha que trabalhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora ao sofrimento do amor platônico com os peitos de jambo da Aline, somava-se o profundo arrependimento de não ter ficado por mais alguns minutos com a vítima de seu homenageado, e, principalmente, admirando aquela inesquecível morena. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não demorou mais que uma semana até que Dirceu, na antessala da cozinha da pizzaria com seus companheiros de entrega, entre a descrição do primeiro e do segundo gol de seu time no último jogo, viu escrito em uma das notas de entrega: Aline. Não chegou a consultar o motoqueiro da vez para pegar o papel, a pizza e sumir com sua moto. Ao chegar ao seu destino, parou o elevador no meio do caminho, ajeitou o cabelo. Quando Aline abriu a porta, mostrou novamente uma cara de surpresa, mas uma surpresa menos contundente; seria até difícil dizer se havia uma cara de surpresa com um sentimento de surpresa, ou se havia uma simulada cara de surpresa com um sentimento de felicidade. E dessa vez, não obstante o chefe, as gorjetas, ele não pensou duas vezes em aceitar a cerveja oferecida pela mulher dos olhos de jambo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi uma noite inesquecível; menos pela intensidade do amor que houve entre os dois ou pelo barulho que incomodou o prédio inteiro; mais pela confirmação de que o homônimo do algoz de Ramon, este que nessa noite estava no Peru; mais por falta de precaução do que por decisão própria, entrava de vez na família.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a gravidez, o casamento de Dirceu e Aline foi acelerado. Uma cerimônia simples, mas que contou com os amigos do bar, os companheiros de pizzaria e até sua família, que, a contra-gosto, veio enfrentar as garras da cidade grande para conhecer a nova família do seu ex-filho prodígio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aline era ainda estudante, e não conseguiram sustentar por muito tempo a casa de Dirceu, ainda mais considerando os novos gastos que estavam por vir com o bebê e que já começavam a dar suas caras. Tiveram que abandondar essa moradia e buscar outra possibilidade. Conseguiram um barraco localizado numa área de posse, às margens de um córrego. Não era o ideal de moradia, mas se viam sem qualquer alternativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poucos meses depois de casados, já no novo barraco, nasceu sua primeira filha, Sofia. A alegria de Dirceu foi surpreendente para ele mesmo. Não achou que um pedaço desse de gente fosse ter tanto impacto. Mais do que nunca via sentido em sua vida e agora todos seus sonhos se transfundiram para sua filha. A possibilidade de uma vida melhor para Sofia era o maior incentivo que poderia ter.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando voltava do trabalho, passava o tempo todo com ela. A carregava para todos os lugares; até para a pelada do futebol, todo domingo. Primeiro, no carrinho de bebê; depois, brincando do lado do campo de várzea com outras crianças. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se sabe se por influência paterna ou por puro gosto que vem desde a barriga, coisa dessas que nunca se poderá definir, desde pequenina Sofia gostava de brincar com bola. Mesmo que lhe dessem bonecas ou outros jogos ela sempre ia atrás do seu brinquedo predileto. Foi assim que Dirceu também começou a envolver Sofia no mundo do futebol e, junto com isso, inculcar na cabeça da menina o gosto pelo seu time do coração. Sempre comprava camisas do time, chinelas, toalha e outros apetrechos; até os primeiros brincos que Sofia usou possuíam o símbolo do time que Dirceu torcia; que, a essa altura, também já era o time de Sofia, porque com sete anos de idade muitas crianças já tomaram o que talvez seja a primeira grande decisão para toda a vida, quer se arrependam ou não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;FINAL 1&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sentido da vida de Dirceu dissipou-se num dia de verão quando saiu para o trabalho e choveu fortemente. A chuva foi tão forte e inesperada, que as principais ruas da cidade estavam todas alagadas. Não havia possibilidade de trafegar, tampouco andar a pé. As pessoas ficaram todas ilhadas nos abrigos que conseguiram encontrar para se protegerem da chuva. Essa chuva se prolongou por todo o dia. Inevitável era tentar voltar para casa naquelas condições. Foi preciso esperar que a natureza desse trégua, o que ocorreu só no começo da noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando Dirceu, enfim, conseguiu chegar à rua de sua casa, viu logo a presença de bombeiros, defesa civil, policiais fazendo barricadas. Ficou assustado. Seu coração começou a bater mais forte. Pensou na sua família, em Sofia, em Aline. Correu em direção a sua casa, mas foi impedido de entrar. Tentou de todas as formas, desesperado conseguiu se aproximar. Quando chegou em frente a sua casa, viu que sua esposa saia numa maca dos bombeiros, mas apresentava sinais de vida. A abraçou, a beijou, ao mesmo tempo em que chorava e soluçava, tamanha era a dor. Os bombeiros imediatamente a levaram para o hospital. Mas Sofia ainda não tinha sido localizada, o desespero continuava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se a chuva no centro da cidade provocou alagamento das ruas, no bairro de Dirceu provocou estragos maiores. O córrego próximo de sua casa subiu tanto que alagou todos os casebres que ali se encontravam. E como foi tão rápido, não deu tempo para os moradores saírem de lá. E sair de lá e ir para onde? Não havia escolhas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por volta de meia-noite os bombeiros conseguiram localizar o corpo de uma criança. Chamaram as pessoas para fazerem a identificação. Dirceu se apresentou prontamente. Quando chegou ao lugar em que estavam sendo colocados os corpos dos que não conseguiram sobreviver, foi tomado de uma dor muito forte e profunda, e aos berros chorava desesperadamente, ao ver Sofia com o rosto assustada, vestida com a camisa de futebol de seu time do coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;FINAL 2&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aline conseguiu arranjar um trabalho de garçonete num bar, o que representava uma ajuda considerável no orçamento do casal, mas obrigou Dirceu a trabalhar mais cedo na pizzaria. À noite, ficava com Sofia. Seu dia preferido era às quartas-feiras, quando, escondidos da mãe, ele trazia pizza do seu trabalho e juntos assistiam ao jogos na TV. Toda quarta faziam uma mesma cerimônia: vestiam a camisa do time, sofriam em frente à televisão, comiam pizza com catchup, um tomava cerveja, outro refrigerante, xingavam o juiz, se abraçavam como loucos na hora do gol. Não raro, antes do fim do jogo, Sofia já estava adormecida no colchão colocado à frente do sofá, e Dirceu deitava junto dela, a abraçando por trás, e, muito mais concentrado no cafuné que fazia do que na TV que passava qualquer coisa, ele também dormia. Quando Aline chegava, cansada do trabalho, levava ambos para suas camas, apesar de muitas vezes penar para soltar aquele abraço que mal parecia de duas pessoas dormindo pela força que os apertava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma quarta-feira qualquer, Aline não precisou levá-los para cama. O ritual foi como nos outros dias. Camisa, pizza, refrigerante, xingamento, abraço, mais xingamento. Com Sofia adormecida, Dirceu nessa noite não desceu ao colchão para deitar com ela. O mais provável é que a derrota do seu time tenha o deixado triste, e acabou preferindo dormir abraçado a si mesmo, com um tímido braço esticado para acariciar os longos pelos de sua filha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda meia hora antes de Aline chegar, o sono profundo de Dirceu foi interrompido por um rápido, mas assustador, estrondoso barulho. Quase numa reação impensada, não levou três segundos entre o tempo do barulho e a nova posição que assumiu abraçado à sua filha, como se já previra a necessidade de protegê-la de algo. E, curiosamente, foram esses mesmos três segundos que Dirceu pode ficar abraçado pela última vez à Sofia antes que a avalanche de terra os cobrisse por completo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando Aline chegou em casa, viu a movimentação de moradores, bombeiros, policiais. Não podia imaginar o que estava acontecendo. Começaram a aparecer os corpos. Não demorou muito até que encontrassem um rapaz e uma menina, próximos de idade com o que ela tinha descrito e na exata posição; o pai abraçando a filha por trás. Mal foi necessário que, após limparem boa parte da terra, ela tirasse a prova final, os dois vestidos com a camisa verde do time de futebol, para que ela se jogasse sobre eles, sobre a terra, chorando, soluçando e pedindo, não se sabe se para eles, para algum deus, para os bombeiros, para a levarem junto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-593048206511555269?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/593048206511555269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2011/03/jogo-truncado.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/593048206511555269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/593048206511555269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2011/03/jogo-truncado.html' title='JOGO TRUNCADO'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-5114065392178813807</id><published>2011-03-02T19:57:00.001-03:00</published><updated>2011-03-02T20:00:19.826-03:00</updated><title type='text'>Espelho - João Nogueira</title><content type='html'>&lt;iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/17qD-DULlTU" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;ESPELHO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;João Nogueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido no subúrbio nos melhores dias&lt;br /&gt;Com votos da família de vida feliz&lt;br /&gt;Andar e pilotar um pássaro de aço&lt;br /&gt;Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço&lt;br /&gt;Com as fardas mais bonitas desse meu país&lt;br /&gt;O pai de anel no dedo e dedo na viola&lt;br /&gt;Sorria e parecia mesmo ser feliz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eh, vida boa&lt;br /&gt;Quanto tempo faz&lt;br /&gt;Que felicidade!&lt;br /&gt;E que vontade de tocar viola de verdade&lt;br /&gt;E de fazer canções como as que fez meu pai (Bis)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dia de tristeza me faltou o velho&lt;br /&gt;E falta lhe confesso que ainda hoje faz&lt;br /&gt;E me abracei na bola e pensei ser um dia&lt;br /&gt;Um craque da pelota ao me tornar rapaz&lt;br /&gt;Um dia chutei mal e machuquei o dedo&lt;br /&gt;E sem ter mais o velho pra tirar o medo&lt;br /&gt;Foi mais uma vontade que ficou pra trás&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eh, vida à toa&lt;br /&gt;Vai no tempo vai&lt;br /&gt;E eu sem ter maldade&lt;br /&gt;Na inocência de criança de tão pouca idade&lt;br /&gt;Troquei de mal com Deus por me levar meu pai (Bis)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim crescendo eu fui me criando sozinho&lt;br /&gt;Aprendendo na rua, na escola e no lar&lt;br /&gt;Um dia eu me tornei o bambambã da esquina&lt;br /&gt;Em toda brincadeira, em briga, em namorar&lt;br /&gt;Até que um dia eu tive que largar o estudo&lt;br /&gt;E trabalhar na rua sustentando tudo&lt;br /&gt;Assim sem perceber eu era adulto já&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eh, vida voa&lt;br /&gt;Vai no tempo, vai&lt;br /&gt;Ai, mas que saudade&lt;br /&gt;Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade&lt;br /&gt;E orgulho de seu filho ser igual seu pai&lt;br /&gt;Pois me beijaram a boca e me tornei poeta&lt;br /&gt;Mas tão habituado com o adverso&lt;br /&gt;Eu temo se um dia me machuca o verso&lt;br /&gt;E o meu medo maior é o espelho se quebrar (Bis)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-5114065392178813807?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/5114065392178813807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2011/03/espelho-joao-nogueira_02.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/5114065392178813807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/5114065392178813807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2011/03/espelho-joao-nogueira_02.html' title='Espelho - João Nogueira'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/17qD-DULlTU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-1908588469806118939</id><published>2011-02-08T11:56:00.003-02:00</published><updated>2011-02-20T13:49:55.822-03:00</updated><title type='text'>O Menino e o Pôr do Sol</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/TVFNRz1sbmI/AAAAAAAAA8Y/piv0ixgDpvI/s1600/ipanema01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 211px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/TVFNRz1sbmI/AAAAAAAAA8Y/piv0ixgDpvI/s320/ipanema01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571319182402547298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou conhecido como menino porque as relações que estabelecia com as pessoas eram fortuitas. Não era pra menos, pois esses encontros ocorriam com diversas pessoas num ambiente extremamente populoso: a praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A praia pode ser definida sob diversas formas, uma delas é o fato de ser um lugar em que o contato com pessoas diferentes é normalmente efêmero. Mas não se tratava de qualquer praia, era a a praia de Ipanema, cantada e admirada, reconhecida também pelo maravilhoso pôr do sol que se pode observar de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que Tatiana ao entrar na fila da ducha para tirar o sal do corpo obtido na água do mar, encontrou com o menino, faladeiro, não tinha qualquer cerimônia com quem quer que fosse. Logo de cara ele perguntou a Tatiana:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você veio à praia ontem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir resposta negativa, o menino logo emendou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe o que aconteu ontem? O sol se pôs e depois voltou. Aí ele se pôs novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez uma pausa e continou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu fiquei vigiando, porque se isso acontecesse de novo poderia ser uma tsuname.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tatiana impressionada com o fato narrado disse que ele havia presenciado um fenômeno muito raro da natureza e saiu ao encontro de seus amigos que estavam na praia para contar tamanha façanha do menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O namorado da Tatiana, ao ouvir a estória contata por ela, foi também tomar um banho de ducha. Ao chegar lá encontrou com o menino, que não saia daquela ducha. O abordou, como se não soubesse de nada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você viu que ontem o sol se pôs e voltou, e depois se pôs novamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino cheio de excitação quis mostrar pra todo mundo que estava em volta que ele tinha razão, que encontrara ali a confirmação da sua estória. E o namorado de Tatiana pode perceber que o menino de fato acreditava no que estava contanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que depois de tudo isso fiquei observando o pôr do sol para ver se também naquele dia o sol poderia voltar e se pôr novamente, mas não tive a mesma sorte que o menino no dia anterior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-1908588469806118939?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/1908588469806118939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2011/02/o-menino-e-o-por-do-sol.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/1908588469806118939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/1908588469806118939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2011/02/o-menino-e-o-por-do-sol.html' title='O Menino e o Pôr do Sol'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/TVFNRz1sbmI/AAAAAAAAA8Y/piv0ixgDpvI/s72-c/ipanema01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-8963471125498528725</id><published>2010-11-02T20:04:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T20:04:43.925-02:00</updated><title type='text'>Mercedes Sosa - Todo Cambia</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/g8VqIFSrFUU?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/g8VqIFSrFUU?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-8963471125498528725?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/8963471125498528725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/11/mercedes-sosa-todo-cambia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/8963471125498528725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/8963471125498528725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/11/mercedes-sosa-todo-cambia.html' title='Mercedes Sosa - Todo Cambia'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-250409986618281091</id><published>2010-11-02T19:59:00.001-02:00</published><updated>2010-11-02T20:11:01.658-02:00</updated><title type='text'>Marca da perda</title><content type='html'>A perda marca. &lt;br /&gt;É quando a gente sente o coração vazio. &lt;br /&gt;Mas em sua marca percebemos que nem tudo se esvaiu.&lt;br /&gt;A lembraça que fica preenche suavemente o coração.&lt;br /&gt;Aquele vazio que parecia grande não é suficiente para tamanha alegria.&lt;br /&gt;E essa alegria transborda a tal ponto que os olhos se enchem de lágrimas.&lt;br /&gt;Temos a certeza: o que perdemos continua a existir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-250409986618281091?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/250409986618281091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/11/marca-da-perda-perda-marca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/250409986618281091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/250409986618281091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/11/marca-da-perda-perda-marca.html' title='Marca da perda'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-3337183183350555012?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/3337183183350555012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/10/cio-da-terra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/3337183183350555012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/3337183183350555012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/10/cio-da-terra.html' title='Cio da Terra'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-8452892814041270091</id><published>2010-10-12T15:08:00.004-03:00</published><updated>2010-10-12T15:09:35.605-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Momentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há momentos em que nos sentimos bem &lt;br /&gt;quando estamos com alguém por perto&lt;br /&gt;para poder conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há momentos em que nos sentimos bem &lt;br /&gt;quando escutamos músicas que nos &lt;br /&gt;tocam por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há momentos em que o silêncio &lt;br /&gt;é o que nos importa. &lt;br /&gt;Hoje quero ficar calado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-8452892814041270091?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/8452892814041270091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/10/momentos-ha-momentos-em-que-nos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/8452892814041270091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/8452892814041270091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/10/momentos-ha-momentos-em-que-nos.html' title=''/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-7235768120240548029</id><published>2010-08-11T13:32:00.001-03:00</published><updated>2010-08-11T13:32:51.830-03:00</updated><title type='text'>Pequeno perfil de um cidadão comum - Belchior</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FwxndFdeAlk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1?rel=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/FwxndFdeAlk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1?rel=0" 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type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/08/pequeno-perfil-de-um-cidadao-comum.html' title='Pequeno perfil de um cidadão comum - Belchior'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-4611682090576868662</id><published>2010-05-14T01:10:00.004-03:00</published><updated>2010-05-14T17:36:34.300-03:00</updated><title type='text'>INCÔMODO</title><content type='html'>Ele resolvera parar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconhecia que no alto de seus 50 anos de idade muito já havia vivido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que tivesse a consciência de já ter feito tudo que pudesse fazer, sabia que tinha mais a oferecer, principalmente depois do que conseguiu acumular ao longo de tantos anos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão de parar envolvia outras questões, mas também não fora tomada de súbito, ao acaso, de maneira inesperada, tampouco resultou de uma racionalização que considerasse todos elementos para uma decisão como essa. Resolvera, como se pode dizer, arriscar; sim, arriscar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia, sem que tivesse qualquer arrependimento, que lhe escapara muitas experiências, como o crescimento de seus filhos, alguns amores não resolvidos, que era aquilo que conseguia, num momento como esses, objetivar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidira, portanto, tomar outro rumo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mundo novo se descobria: novos ambientes, novas relações, novas experiências, até o tipo de conversa mudou. No começo não conseguia entender que ao redor de uma mesa de bar se pudesse falar tanto e de tantas coisas, sem sequer passar pela política, a política que fora seu mundo, por tantos anos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aquilo lhe encatara! Conseguia perceber que havia ignorado muitas coisas na vida, não tinha dado importância para detalhes capazes de dar novo sentido para as experiências vivenciadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por encanto, passou a viver cada vez mais esse novo mundo. Viveu tanto, que o naturalizou; já era parte daquele mundo e aquele mundo já fazia parte dele. Se espantou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí em diante novas reflexões lhe tomaram o tempo. Percebia que suas convicções não havia mudado; o que fizera a maior parte de sua vida, havia carregado consigo para sempre. Mas não conseguia ir além desse tipo de pensamento confortante; também se incomodara com isso, mesmo assim não via mais a política com os mesmos olhos, não sentia mais da mesma forma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo era muito intrigante. Quando via algumas pessoas mais jovens se posicionarem e agirem como fizera no passado, seus estímulos  eram impulsionados, como se fora uma bateria recarregada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, relativizava com tudo que já vivera, inclusive com a nova experiência. Na experiência política, pensava, nem sempre conseguia levar adiante o que julgava mais adequado; a dinâmica que tomava envolvia a todos e era inescapável. Na nova vida, ... ah, a nova vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era só incômodo tudo o que esse homem sentia!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-4611682090576868662?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/4611682090576868662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/05/incomodo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4611682090576868662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4611682090576868662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/05/incomodo.html' title='INCÔMODO'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-4766554117922185924</id><published>2010-02-23T00:43:00.002-03:00</published><updated>2010-02-23T10:54:40.418-03:00</updated><title type='text'>Quando as Malvinas tornaram-se Finsocial</title><content type='html'>Voltou a discussão sobre as Ilhas Malvinas, que se situam no sul do continente americano e foi motivo de guerra entre a Inglaterra e a Argentina, no ano de 1982. Nesse mesmo ano ocorreu a segunda ocupação popular de terras urbanas em Goiânia depois de vários anos. O impedimento da realização de ocupações foi decorrente da Ditadura Militar. Mesmo que esse período já fosse caracterizado como de transição democrática, o clima estabelecido nessa ocupação foi de guerra. Por este motivo, a sabedoria popular passou a chamar o acampamento que fora estabelecido de Malvinas, referência que se fazia àquela guerra que estava ocorrendo no sul do continente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, depois de muita pressão do governo e de sua polícia para retirar as famílias que realizavam a ocupação, percebeu-se que aquela ação popular tornara-se fato consumado. Por isso, o governo da época foi obrigado a encontrar outra solução para o problema, já que o lugar onde as pessoas estavam acampadas não poderia ser utilizado para seu assentamento. Como houve muita demora para o governo encaminhar essa questão, passou-se a dar a desculpa que o assentamento não se efetivava devido aos recursos que deveria ser conseguidos daqueles impostos que tem finalidade social, mas que é comumente falada de impostos de fim social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve repercussão dessa desculpa e as pessoas passaram a falar fim social pra cá, fim social pra lá, até que tornou-se do conhecimento de todo mundo. Quando o governo conseguiu a solução – a transferência daquelas famílias para uma área próxima – fez questão de reunir todos no maior estádio da cidade – Serra Dourada – e anuciou que aquele bairro que estava sendo entregue, com seus lotes, é evidente, seria chamado de Finsocial. Ou seja, o fim social, se juntou, por isso trocou o m por n e tornou-se Finsocial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O restabelecimento da discussão sobre as Ilhas Malvinas nos faz pensar na possibilidade de uma nova guerra entre Inglaterra e Argentina e se a referência ainda pode ser utilizada, não seria nenhum absurdo apelidar o Finsocial de Malvinas, já que o que se vive nesse bairro hoje é uma situação que se assemelha à guerra. É difícil um mês que não tenha jovens sendo assassinado. E não é só isso, como se fosse pouco, há uma tensão muito grande nos moradores, por medo de traficantes, medo da polícia e, soma-se a isso, um grande descaso do poder público.  Talvez a volta da discussão as Malvinas possa, quiçá, reacender a discussão sobre a Malvina goianiense, que se tornou Finsocial, mas não é vista e nem considerada sob o objetivo social, pelo menos até hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-4766554117922185924?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/4766554117922185924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/02/quando-malvinas-se-tornou-finsocial.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4766554117922185924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4766554117922185924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/02/quando-malvinas-se-tornou-finsocial.html' title='Quando as Malvinas tornaram-se Finsocial'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-5431754702683171173</id><published>2010-02-21T11:30:00.001-03:00</published><updated>2010-02-21T11:32:00.541-03:00</updated><title type='text'>Encontro de gerações: o carnaval ainda não acabou</title><content type='html'>Sábado, depois do feriado de carnaval, ainda havia programação dos blocos de rua no Rio de Janeiro. Dentre esses blocos um era muito chamativo, Mulheres de Chico. Esse bloco é constituído por várias mulheres que organizaram uma banda e cantam só músicas do Chico Buarque. Como eu gosto muito das músicas desse cantor e já tinha assistido em outra ocasião essa banda de mulheres, fiquei muito interessado. Mesmo assim, na hora marcada eu havia me esquecido, foi preciso que um amigo me ligasse chamando para eu ir para que pudesse me lembrar. &lt;br /&gt;Eu fui com meu amigo e sua mãe. Outras amigas iriam se encontrar conosco, além do pai do meu amigo. Como se vê, um  programa de família, já que o Chico Buarque influencia e influenciou diversas gerações. &lt;br /&gt;Quando chegamos lá, imagino que o show já estivesse pela metade, porque não foram tantas as músicas que vimos tocar, embora todas elas nos contagiassem e também a outras pessoas ao nosso redor. &lt;br /&gt;Um fato inusitado me chamou inicialmente atenção e depois pude mostrar para o meu amigo, que também achou interessante. Para todas as músicas que as Mulheres de Chico cantavam, um senhor que aparentava ter pouco mais de 60 anos cantava loucamente, fechava os olhos e deixava a música fluir. Próximo a ele havia também um jovem que devia ter em torno de 20 anos, não muito mais que isso. Esse garoto também cantava todas as músicas, no começo olhando para sua namorada que estava com ele e para alguns amigos dele. Mas observava-se nesse grupo que o garoto participava somente ele cantava as músicas do Chico.&lt;br /&gt;Depois de várias músicas assim, esse jovem percebeu que aquele senhor também gostava muito da música do Chico Buarque. Bastou isso para que ocorresse interação entre eles, interação mediada pela música, é claro. Assim ficaram até acabar o show, porém mesmo depois do show ter terminado eles continuaram cantando outras músicas do Chico Buarque, ora um puxava uma música e outro acompanhava, ora era o outro.&lt;br /&gt;Como estávamos gostando daquela situação, resolvemos nos aproximar dos dois e, com isso, engrossamos o grupo cantando e dançando as músicas do Chico Buarque. O clima estava tão interessante, que pouco nos importamos com o fato de ter terminado do show. O show erámos nós que comandávamos, claro que tanto aquele senhor quanto aquele jovem dava o tom necessário.&lt;br /&gt;Assim, ficamos até que o garoto teve que ir embora, porque foi chamado pelas pessoas que estavam com ele, incluindo sua namorada, que em nenhum momento entraram no mesmo clima ou sequer se aproximaram para pelo menos dançar junto conosco. O garoto foi embora, logo o senhor também e, finalmente, o show acabou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-5431754702683171173?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/5431754702683171173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/02/encontro-de-geracoes-o-carnaval-ainda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/5431754702683171173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/5431754702683171173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/02/encontro-de-geracoes-o-carnaval-ainda.html' title='Encontro de gerações: o carnaval ainda não acabou'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-3686451114994981498</id><published>2010-02-19T15:20:00.003-02:00</published><updated>2010-02-19T15:34:09.803-02:00</updated><title type='text'>Reflexões de Carnaval (II)</title><content type='html'>Durante o Carnaval, na noite em que fomos participar do Cacique de Ramos, dois amigos e eu, ao final do desfile do Bloco, ficamos na Av. Rio Branco tomando cerveja e conversando sobre o desfile que foi simplismente sensacional, como um de meus amigos costuma falar. Conversa vai, conversa vem, observamos um catador de lata (dessas latinhas de cerveja) na maior alegria, enquanto fazia o seu trabalho, fazendo malabarismos, dançando e provocando as pessoas que por ele passava.&lt;br /&gt;Este fato nos chamou muita atenção, porque em geral catadores de lata não demonstram tanta alegria assim na realização de sua tarefa, ainda mais porque como há muitos catadores, normalmente eles precisam concorrer entre si. Mas esse catador, percebia-se, era mesmo diferente. Não que estivesse despreocupado com seu trabalho, mas via-se nele o desejo de aproveitar aquele momento que estava vivendo.&lt;br /&gt;Diante dessa situação começamos a conversar com ele. Uma pessoa muito simpática no tratamento e um rapaz muito bonito. Ele nos falou de sua alegria, do seu dia a dia e, de modo geral, da sua vida. Sempre com um sorriso no rosto estampado. Curioso foi quando eu perguntei a ele seu nome, ele respondeu com um ar de seriedade. Então, eu o provoquei, dizendo que havia ficado sério. Ele sem titubiar, respondeu que seu nome era uma das coisas mais importantes na vida dele, por dizer quem ele era, por isso precisava ser dito com seriedade.&lt;br /&gt;A conversa se estendeu mais e um dos amigos, que é estrangeiro – europeu –, ficou muito sensibilizado com aquela situação. O fato de um catador de lata poder demonstrar tanta alegria, sendo um catador de lata. &lt;br /&gt;Como ganhamos a confiança desse trabalhador, ele deixou conosco seu saco cheio de latas e foi procurar outras latinhas, longe da gente. O interessante foi que muitos outros catadores tentaram pegar o saco que estava conosco porque viam claramente que nós não nos apresentavamos como catadores. Mas não deixamos, é claro, que isso ocorresse.&lt;br /&gt;Na ausência do catador de lata, o nosso amigo estrangeiro resolveu ajudá-lo, sem que ele soubesse. Foi então a procura de latinhas também. Conseguiu várias e ficou empolgado com aquela situação. Resolveu, portanto, continuar a sua ação. &lt;br /&gt;Nessa tentativa de busca de latas, houve um momento em que vieram dois outros rapazes “tirar satisfação” com nosso amigo estrangeiro. Não entendemos o que estava acontecendo – nem eu, nem meu outro amigo que estava comigo –, mas procuramos saber porque aqueles rapazes brigava com nosso amigo. &lt;br /&gt;Esses dois rapazes eram vendedores ambulantes de cerveja. Normalmente para demonstrar que nas caixas de isopor há cerveja, os ambulantes colocam latas vazias em cima da caixa, inclusive com a marca da cerveja que está vendendo. O nosso amigo estrangeiro havia pedido a ele a lata que estava sobre a caixa de cerveja. E os rapazes que deram a lata viram-no colocando-a dentro do saco de lixo. Isso foi o motivo para a confusão.&lt;br /&gt;Os rapazes interpelavam nosso amigo pelo o que ele fez e ele, sem entender a situação, dizia que havia pedido. E de fato foi o que ocorreu. Depois de entender a situação e explicar ao nosso amigo estrangeiro, nós vimos que os rapazes estavam “tirando uma onda” com o ocorrido. A partir disso, ficamos conversando com eles. Soubemos um pouco sobre a dinâmica do seu trabalho e de suas vidas. Eles eram pessoas muito interessantes. Até compramos outras cervejas deles.&lt;br /&gt;Passado o carnaval lembramos desse fato quando nos encontramos novamente, dessa vez na presença de uma outra amiga que temos em comum. &lt;br /&gt;O nosso amigo estrageiro dizia que ele fez aquilo porque ficou sensibilizado com o catador de lata e queria de alguma maneira demonstrar isso a ele. Que é possível as pessoas contribuirem uma com as outras. Era a sua prentensão.&lt;br /&gt;Nós falamos para ele que, embora sua conduta tenha sido honesta e valorosa, era perigoso o que tinha feito, pois ele estava entrando num mundo desconhecido, cujos códigos não entendia. E não necessariamente a vida do catador de lata iria mudar porque ele teve aquela conduta.&lt;br /&gt;A partir disso, nós pudemos refletir que na pretensão que as vezes temos de mudar o mundo, o que estamos fazendo mesmo é nos mudar. O meu amigo estrangeiro pode não ter influenciado em nada na vida do catador de latas, quando procurou ajudá-lo, mas com certeza voltará para o seu país com outra dimensão de mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-3686451114994981498?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/3686451114994981498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/02/reflexoes-de-carnaval-ii.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/3686451114994981498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/3686451114994981498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/02/reflexoes-de-carnaval-ii.html' title='Reflexões de Carnaval (II)'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-8265929694828362512</id><published>2010-02-19T13:10:00.002-02:00</published><updated>2010-02-21T10:42:24.058-03:00</updated><title type='text'>Reflexões de Carnaval (I)</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Indiferentes umas com as outras pessoas, cada um vai seguindo o seu caminho em ritmos sempre frenéticos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Essa cena é típica de uma metrópole. Já no começo do século XX, George Simmel escreveu sobre “A metrópole e a vida mental”, analisando como a morfologia de uma grande cidade é propícia para que se desenvolva formas de condutas sociais em que cada indivíduo para conseguir superar todos os impulsos em que está sujeito necessita criar mecanismos que o permita viver a vida social. Esses mecanismos podem ser observados, grosso modo, na indiferença que as pessoas têm, por exemplo, ao passar por um medingo e não considerar a sua abordagem ou o seu pedido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Mas o que tem de tão curioso nisso, se a cena é típica de uma metrópole? É curioso o fato de nos últimos cinco dias o Rio de Janeiro ter sido palco de uma das festas mais populares do mundo, o Carnaval. O que se via nas ruas eram pessoas fantasiadas, descontraídas, alegres e que procuravam chamar atenção umas das outras, num clima de muita euforia e desprendimento. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Isso fica muito evidente para as pessoas que tiveram a experiência de participar dos blocos de rua. Neles, as pessoas ao som das músicas carnavalescas cantavam e dançavam, as vezes, com muita irreverência. A sensação que se tinha era que ali, em cada bloco de rua, estava sendo realizada a celebração entre amigos, entre pessoas que se conheciam e queriam compartilhar umas com as outras suas emoções, seus sentimentos. Também isso era observado mesmo entre pessoas que não se conheciam. Ser abordado por um desconhecido não causava estranheza, já que era o espaço onde as pessoas estavam dispostas a esse tipo de conduta. Diferente do dia a dia de uma metrópole.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Um amigo meu estrangeiro, europeu, chamou atenção para o fato de aqui no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, as pessoas se abraçarem, independente de serem homens e mulheres, mas de cumprimentar umas as outras com abraço, sempre carinhoso. Só mesmo um estrangeiro para perceber algo que se tornou tão trivial nos relacionamentos existentes entre nós. O que é relevante nisso é que os abraços foram dados e recebidos não apenas entre as pessoas que se conheciam, mas também entre não conhecidos, que acabavam de se conhecer, sendo apresentado ou não por outras pessoas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;A magia de tudo isso tem muito a ver com a reunião das pessoas, com a música e dança que contagiavam a todos, mesmo quem não soubessem a letra ou não soubessem cantar. De modo geral, as pessoas entravam no mesmo clima da festa, como se fosse uma onda a carregar as águas que se encontram a frente. Algo parecido com isso se vê nos estádios de futebol quando um time faz um gol. A comemoração da torcida desse time faz com que todos que estejam na arquibanca (desse time) vibrem pelo gol feito, mesmo se o espectador não torcer para time que realizou o gol. É preciso muita resistência para não se deixar contagiar. Não foi diferente nos blocos de carnaval de rua. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Eu tive a oportunidade, e muito fôlego, de participar de 12 blocos de rua no carnaval desse ano, no Rio de Janeiro, de sexta-feira a terça-feira de carnaval, sem contar os blocos que saríram antes do carnaval começar. Além disso pude também assistir a um único desfile das escolas de samba, na Marquês de Sapucaí – Sambódromo da cidade –, que por sinal foi da escola campeã de 2010, Unidos da Tijuca. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Desses blocos de rua que participei a metade saiu na Zona Sul da cidade, onde se concentra parte significativa da classe média e também da classe alta da cidade. A outra metade ou foi na região Central da cidade, que também há uma concentração importante da classe média da cidade, embora haja maior mistura com segmentos sociais da classe baixa. Mesmo assim, o público desses blocos era na sua maioria moradores da Zona Sul, não obstante haver também pessoas que viam de outros lugares da cidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;O uso de classe que está sendo feito aqui está relacionado com a concepção de classe weberiana e não com a concepção marxista, pelo menos aquela mais ortodoxa, em que as classes sociais se constituem na relação de produção. Para a concepção weberiana, a classe social se constituem em função do status ou prestígio social, em que há uma decorrência tanto dos aspectos econômicos e também de aspectos culturais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Essa descrição se torna relevante porque três falas me chamaram atenção: duas ocorridas em um mesmo dia e num mesmo lugar e a outra partilhando com uma amiga a experiência de cada um no carnaval. Fui com dois amigos, aquele estrangeiro que fiz referência e outro amigo carioca, participar de um bloco que saía a noite – O Cacique de Ramos – na Av. Rio Branco, que fica no centro do Rio de Janeiro. Um primeiro comentário foi “como as pessoas aqui são diferentes”; o outro comentário, apesar de ter sido feito com ironia, também foi significativo, dizia o seguinte “aqui não vamos encontrar ninguém que conhecemos”. A fala da minha amiga, que ao final de um dos blocos de carnaval teve que cruzar a pé a mesma avenida Rio Branco, observando que estava havendo o desfile de outro bloco de carnaval, foi “parecia que era outro carnaval”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Essas três&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;falas, ao meu ver, compartilham de um mesmo sentimento (ou percepção) e coloca em relevo diferenças existentes no carnaval do Rio de Janeiro, que não são apenas diferenças do carnaval. Esse sentimento comum era de que estávamos diante de pessoas de níveis econômicos e sociais diferentes dos nossos, ali traduzidos nas suas manifestações culturais, na maneira como o carnaval estava sendo vivenciado (não significa que não haja pessoas economica e socialmente baixo na Zona Sul do Rio de Janeiro, mas as relações ali estabelecidas, também diferenciam essas pessoas das de outras regiões da cidade. Volto a esse ponto mais adiante). E só prestamos atenção nisso, porque vivenciamos outras experiências carnavalescas muito parecidas nesse aspecto e que, por isso, tornava essa experiência específica, da Av. Rio Branco, impactante aos nossos olhares. Mas também porque éramos “estrangeiros” nesse lugar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Na Av. Rio Branco, há desfiles de vários blocos de carnaval de rua e de escolas de samba ou que não fazem parte dos grupos de acesso e de elite das escolas de samba do Rio de Janeiro, ou que não fazem parte das agemiações que possibilite ascender àqueles grupos. Normalmente, são blocos de carnaval ou escolas de samba, cujas pessoas são oriundas da Zona Norte do Rio de Janeiro, ou de Favelas, ou mesmo de Baixada Fluminense, que corresponde há alguns municípios da Região Metropolitana. Essas regiões são econômica e socialmente mais pobres, embora haja também segmentos sociais com níveis mais elevados econômica e socialmente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;É importante ressaltar que para os meus amigos que participaram comigo do desfile do Cacique de Ramos, esse bloco foi um dos melhores que eles presenciaram durante o carnaval, para não dizer que foi o melhor. Sem dúvida, quando a bateria do Cacique começa, não há quem fique sem dançar. É muito contagiante e feito com muito profissionalismo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Porém, gostaria ainda de refletir sobre aquelas falas. Acho que ela nos diz muito sobre nossa sociedade. Pirmeiro, embora o carnaval seja um momento em que as pessoas se confraternizam e celebram juntas, seja um momento em que deixam a indiferença de lado, os grupos sociais não se misturam, pelo menos não se misturam tanto; segundo, os grupos sociais são diferentes não apenas cultural ou economicamente, mas também territorialmente e isso fica explícito numa festa popular como é o carnaval; e terceiro, embora estivéssemos numa mesma cidade, há diferenças da forma como os grupos que se diferenciam econômica e socialmente vivenciam o carnaval. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Aquela fala que diz “como as pessoas aqui são diferentes” nos ajuda a pensar no que somos e o que nos tornam diferentes dos outros, inclusive capazes de perceber essas diferenças. Não estou falando apenas de diferenças individuais, embora também elas sejam nítidas e importantes, mas sobretudo de diferenças sociais. Neste aspecto, Norbert Elias é uma grande referência, seja na obra que apresenta seu método “A sociedade dos indivíduos”, seja em uma de suas obras que fica muito evidente a aplicação de seu método “Os estabelecidos e os outsiders”. Tando numa como noutra, esse autor nos mostra a sociedade, sendo ela uma sociedade de indivíduos, pensada a partir de uma configuração social, ou de forma mais óbvia como uma rede, sendo cada um dos nós a constituíção das relações que cada um vivencia. Assim, chega a afirmar que o “Eu” só existe porque há um “Nós”. Uma tradução rasteira disso é que cada indivíduo é o que é decorre das múltiplas relações de que faz parte ou que fez parte ao longo da vida. O ponto principal é que cada um se constitui como indivíduo tendo como referência nessa constituição os outros indivíduos. Isso sendo a sociedade para esse autor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Quando se pensar para além dos indivíduos, podemos também, como Norbert Elias fez em “Os estabelecidos e outsiders”, pensar numa configuração social que os grupos sociais se reconhecem como grupos, partilham dos mesmos valores, possuem os mesmos códigos sociais de referência, na medida em que, ao mesmo tempo, se diferenciam dos outros grupos sociais. E nesse processo de diferenciação há relações de poder, inclusive a própria maneira de classificar essas diferenças. Neste sentido, a Zona Sul do Rio de Janeiro pode se tornar um todo homogêneo (mesmo que não seja em sua plenitude) na relação que possui com a Zona Norte ou mesmo com a Baixada Fluminense. E quando se fala em Zona Sul, há toda uma carga simbólica cheia de significados do que é a Zona Sul. Ela em si não é capaz de gerar esse simbolismo, só o é na relação com as outras regiões, inclusive com as favelas nela existente. E por falar em favela, podemos também explorar essa contribuição teórica do Norbert Elias, mesmo sabendo que há pessoas que moram em favela com níveis elevados de escolaridade, algumas com renda também elevada, mas a carga simbólica que essa terminologia carrega não expressa as diferenças existentes na favela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Por isso, perceber que as “as pessoas daqui são diferentes” é reconhecer que não faz parte daquele grupo, mas que compartilha códigos sociais e valores de outro grupo social, que só se constitui na relação com outros grupos sociais, mesmo que isso só se torne perceptível naquele momento. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“Aqui não vamos encontrar ninguém que conhecemos” expressa como disse anteriormente, não apenas diferenças sociais que existe entre as classes, mas também diferenças territoriais.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Pierre Bourdieu, em seu texto seminal intitulado “O efeito do lugar”, deixa claro que o espaço social se inscreve no espaço físico. Para este autor, o espaço social se apresenta sob múltiplas dimensões, as dimensões por ele destacada como principais, mas não exclusivas, são a cultural e a econômica. Ao considerar o espaço social representado por um plano cartesiano, como fez em “A Distinção” e também em “Razões Práticas”, observa-se que a primeira dimensão expressa de um lado o aspecto cultural, chamado por ele de capital cultural, e de outro o aspecto econômico ou capital econômico, sendo que a segunda dimensão expressa o volume de capital que as pessoas possuem. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Neste sentido, ao analisar apenas a primeira dimensão, como este autor analisou para o caso francês, poderemos verificar que as pessoas altamente dotadas de capital cultural estão em lados opostos das pessoas que possuem muito capital econômico, normalmente não são os professosres universitários as pessoas mais ricas da sociedade, por exemplo. Por outro lado, tanto professores universitários quanto as pessoas mais ricas economicamente tende a estarem do mesmo lado na segunda dimensão em oposição as classes mais baixas, como os operários ou ambulantes, por exemplo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;O espaço social que é caracterizado dessa forma por Bourdieu possui rebatimento no espaço físico, na medida em que cada classe social tende a se concentrar geograficamente próximas umas das outras. Esse é um dos motivos que fazem com que certas localizações se valorizem de maneira diferentes uma das outras. Ou seja, não há aqui apenas o aspecto econômico definindo os valores de cada localização.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;No caso do carnaval, embora as pessoas de classes mais baixas estivessem fazendo sua apresentação no centro da cidade, podemos observar que aquele espaço físico da Av. Rio Branco foi inscrito socialmente por essa classe. E não apenas isso, que os outros blocos da Zona Sul são diferentes porque estão localizados geograficamente em lugares em que a elite da sociedade se localiza (seja essa elite cultural ou econômica). &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;É por este motivo que as pessoas das classes mais elevadas, ao participarem dos blocos da Zona Sul, têm maior probabilidade de encontrar pessoas conhecidas, que do mesmo ocorrer caso elas participem de blocos que “geograficamente” são caracterizados pelas classes mais baixas. Não é por acaso que “aqui não vamos encontrar ninguém conhecido” é uma frase cheia de significado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;“Parece que é outro carnaval” traduz o que tentamos abordar nas contribuições de Norbert Elias e Pierre Bourdieu. Mesmo estando numa mesma cidade, há diferenças de classe, essas classes compartilham códigos, valores e condutas diferentes umas das outras, elas só se constituem na relação de uma com as outras e elas se inscrevem em lugares diferentes no território. Tudo isso faz parecer que é mesmo outro carnaval, embora seja também uma festa popular como foi vivenciada por todos os blocos que passei. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Poderíamos diante de tudo isso nos perguntar por que as pessoas das classes mais baixas não participam dos blocos que saem na Zona Sul, por exemplo, como nós tentamos fazer ao estarmos com elas nos “seus” blocos ou por que essas classes não participam das mesmas atividades culturais que as pessoas de outras classes frequentam, uma vez que há muitas atividades que são gratuitas. Ao discutir isso durante o carnaval com esses amigos que mencionei, as respostas mais evidentes foram a distância e a falta de informação. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;De fato, numa cidade como o Rio de Janeiro, não exatamente a distância física, mas a acessibilidade é um fator que coibe as pessoas de classe baixa que não moram na Zona Sul de participarem das mesmas atividades que as classe mais elitizadas participam. Também a falta de informação é um aspecto que se deve levar em conta. Nem todas as atividades que são realizadas gratuitamente as pessoas passam a ter conhecimento. É preciso está na rede social adequada para saber os eventos que serão realizados. Mas somente esses aspectos não explicam tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;As classes ou grupos sociais que se constituem na medida em que se diferenciam umas das outras e se constituem localizações também diferentes, passam a compartilhar gostos, preferências e estilos de vida que também a tornam diferentes. Por isso não basta ter acessibilidade ou informação para poder participar dos mesmos eventos culturais, é necessário que haja também o compatilhamento do mesmo capital cultural para que isso possa ocorrer. Neste sentido, percebemos que as classes ou os grupos sociais estão separados não apenas social e territorialmente, mas também cultural e simbolicamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 6pt 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;O carnaval é só em alguns aspectos diferente do que ocorre nos demais dia do ano numa metrópole. Embora as pessoas estejam mais propicias aos encontros, há ainda muitos desencontros, como diria o poeta. Agora, a partir da Quarta-feira de Cinzas, tudo parece como antes.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-8265929694828362512?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/8265929694828362512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/02/reflexoes-de-carnaval-i.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/8265929694828362512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/8265929694828362512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2010/02/reflexoes-de-carnaval-i.html' title='Reflexões de Carnaval (I)'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-4383881251756796496</id><published>2009-04-03T11:06:00.001-03:00</published><updated>2009-04-03T11:10:23.779-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/SdYYDXUue_I/AAAAAAAAAFM/JHybvoW4pK4/s1600-h/P%C3%B4r-do-sol.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320466455864441842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/SdYYDXUue_I/AAAAAAAAAFM/JHybvoW4pK4/s320/P%C3%B4r-do-sol.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; "O pôr do sol é de quem olha" &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(Millôr Fernandes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-4383881251756796496?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/4383881251756796496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/04/o-por-do-sol-e-de-quem-olha-millor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4383881251756796496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4383881251756796496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/04/o-por-do-sol-e-de-quem-olha-millor.html' title=''/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/SdYYDXUue_I/AAAAAAAAAFM/JHybvoW4pK4/s72-c/P%C3%B4r-do-sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-3753961340775605017</id><published>2009-04-02T14:08:00.002-03:00</published><updated>2009-04-02T14:32:26.837-03:00</updated><title type='text'>DOR PARTIDA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na sala grande dois homens, ainda jovens, sentados, esperando. Estava um em cada canto da sala e não se olhavam, como se um temesse que o outro rompesse o seu isolamento.&lt;br /&gt;Vigiavam uma das portas. A outra que tinha na sala era a do elevador; no painel em cima estava aceso o número 1. O elevador também esperava.&lt;br /&gt;Isso durou um longo tempo – o silêncio e a absoluta imobilidade dos homens; até que um deles verificou, sem virar a cabeça, que a luz do painel começou a correr para a direita, 2 – 3 – 4 – 5. A porta do elevador abriu e surgiu um terceiro homem, de estatura mediana, a olhar para todos os lados como se quisesse encontrar no instante momento o lugar onde se realiza o atendimento; possui um semblante em que o desespero torna-se a mais nítida expressão, numa mistura de dor e tristeza, capaz de chamar atenção de todos que ali se encontravam, levando, nem que por instantes, a esquecer o porquê de estarem naquele lugar. Não se tratava de qualquer pessoa, só pela manifestação corporal do seu sentimento, devia ser alguém que havia perdido uma pessoa amada, demonstração da grandeza dos que se doam à vida e entrega um pedaço de si a outra pessoa, mesmo que esta um dia realize a partida sem volta. Era o que acontecera. Ao localizar a recepção, o chegante perguntou:&lt;br /&gt;- Quem está atendendo aqui?&lt;br /&gt;Por algum momento não houve resposta. Os outros que ali se encontravam faziam que não prestavam atenção. Mas o outro que havia acabado de entrar tratou de insistir.&lt;br /&gt;- Quem está atendendo aqui?&lt;br /&gt;Logo saiu uma pessoa com jaleco azul, como que tirando uma máscara de proteção do rosto, e respondeu:&lt;br /&gt;- O que deseja?&lt;br /&gt;- Gostaria de saber quem é o legista?&lt;br /&gt;- Meu senhor, aqui há vários legistas?&lt;br /&gt;- Quero saber quem é o legista que está com o corpo de “Laura”?&lt;br /&gt;Ao falar o nome “Laura” os outros dois homens se entreolharam assustados. Um logo se manifestou dizendo que também estava naquele lugar devido à Laura. O outro mais assustado ainda ficou, mas não titubeou também em se manifestar. Como ninguém conhecia um ao outro, ficaram por instantes sem saber como prosseguir com aquela situação. O atendente, sem que tivesse percebido, perguntou:&lt;br /&gt;- Algum de vocês é parente de Laura?&lt;br /&gt;O último homem a chegar, olhou para os outros dois sem muita demora, mas interessado em saber a ligação deles com Laura, procurou responder, demonstrando em sua voz a dificuldade de dizer, o que parecia que por muito tempo não dizia.&lt;br /&gt;- Eu... Eu sou pai de Laura.&lt;br /&gt;Falar que era pai de Laura, não só doía o coração pela certeza da partida infinita, como parecia apertá-lo com todas as forças, ao mesmo tempo em que corroia, pela lembrança que trazia em sua memória dos momentos mais felizes que vivera com ela. Era dor da partida. Era dor partida.&lt;br /&gt;Os outros dois homens mais assustados ainda ficaram, não imaginavam que poderiam encontrar, tampouco conhecer, o pai de Laura, principalmente num momento como aquele. Um deles olhou de soslaio para o outro, vendo que não se deixaria conhecer tão facilmente, tratou de se apresentar.&lt;br /&gt;- Eu sou amigo de Laura. Já ouvi muito falar do senhor, se não me engano é seu... seu Francisco – ao ver a confirmação no rosto de seu interlocutor, prosseguiu – meus pêsames. Conheci muito a tua filha. Tive um carinho muito grande por ela – um silêncio tomou conta do ambiente, mas logo prosseguiu – me desculpe, eu nem disse meu nome.&lt;br /&gt;Antes que o diálogo continuasse, como fosse possível em momentos como esse ter espaço para diálogos alongados, o atendente falou:&lt;br /&gt;- Vou chamar o legista que está cuidando do corpo de Laura.&lt;br /&gt;A palavra “cuidando” soou um pouco estranha para os que ali se encontravam, mesmo que não conseguissem fazer uma elaboração mais acabada. Cuidar parece se referir ao zelo, à precaução, à atenção, o que torna sem sentido naquela situação, mas informa à consciência, como que por sinapse, que a pessoa a ser cuidada já não precisa mais de cuidado.&lt;br /&gt;Quando o atendente saiu, o outro homem que ficara calado olhou para o pai de Laura, depois para o amigo que se declarara, e voltando novamente o olhar para seu Francisco, se apresentou.&lt;br /&gt;- Não sei como poderei dizer, mas eu também conheci muito a tua filha.&lt;br /&gt;O pai de Laura, transtornado ainda com a situação de sua filha, respira profundamente e não diz nada. É como se compreendesse que se tratava de duas pessoas que gostavam de sua filha e isso bastava. Não sabia e nem se interrogara naquele momento qual a ligação que possuía com ela. Entra naquela sala, acompanhado do atendente, o legista, olhando para os homens que ali se encontrava, pergunta já direcionando o olhar para seu Francisco:&lt;br /&gt;- Quem é pai de Laura?&lt;br /&gt;- Sou eu – respondeu seu Francisco. O que aconteceu com minha filha?&lt;br /&gt;- Eu não sei responder isso ainda. Eu ia começar fazer a “análise” no momento em que me chamaram. Mas posso adiantar que seu corpo foi muito esfaqueado. Devo demorar em torno de uma hora para poder dar uma avaliação mais precisa. Gostaria que os senhores aguardassem aqui fora, por favor.&lt;br /&gt;Ninguém disse mais nada. O legista se retirou. Novamente um silêncio tomou conta daquele lugar. Sem que ninguém dissesse nada, aos poucos cada um foi se acomodando nas poltronas espalhadas pela sala. Eram várias poltronas, cuja distribuição pelo ambiente ficava em forma de U, de modo que o pai de Laura ocupou o lugar mais ao centro e os outros dois homens ficaram cada um de um de lado de seu Francisco e de frente para o outro.&lt;br /&gt;O pai de Laura ficara calado por muito tempo, pensativo, sem manifestar qualquer palavra. A dor que sentia o fazia deixar de pensar em qualquer outra coisa, somente naquilo que possuía relação com sua filha. E ao fazer esse tipo de ligação, foi percebendo que não conhecia aqueles homens que declararam conhecer sua filha, que há muito tempo não sabia quem eram as pessoas que sua filha se relacionava, quem seria capaz de praticar uma atrocidade daquelas, por que ele não insistiu em ir atrás de sua filha. Eram questões que não conseguia encontrar respostas definitivas no seu momento de introspecção, mas para cada uma daquelas perguntas aumentava o sentimento de culpa por ter conseguido ficar tanto tempo sem procurar a filha, desde que resolvera abandonar sua casa.&lt;br /&gt;De repente, aquele primeiro que se declarou amigo de Laura começou a emitir algumas palavras, de modo pausado, como se quisesse colocar para fora o que sentia naquele momento e o que sentia pela perda de sua amiga. Aos poucos as palavras emitidas iam sendo embaladas, como se o emissor estivesse querendo pronunciar para si mesmo o que carregava em seu coração, sem que isso percebesse. Começou falando do seu primeiro encontro com Laura, como ela o impressionara naquela ocasião, despertando nele um sentimento nunca manifestado antes. Era no aniversário de seu amigo, namorado de Laura. Não podia e nem convinha se aproximar de Laura como uma mulher que desejava. Mas não conseguia esquecê-la. De forma inconsciente, mas as vezes também consciente, elaborava todos os artifícios para estar próximo da mulher que amava. Ela quase não percebera, apesar de alguns momentos conduzir a relação como se soubesse, mas nunca dissera, ele tampouco tinha coragem de ir adiante com aquilo, dividido entre a amizade e sua paixão. Sabia que valia a pena estar do seu lado, mesmo que não pudesse se entregar a ela, e ela a ele. Aquela situação durou tanto tempo que cada vez mais se tornava mais difícil qualquer declaração, foi tornando-se ainda mais amigo de Laura, mesmo depois que ela havia terminado o seu namoro, tornou-se seu confidente.&lt;br /&gt;O tempo só é tempo porque muda. Perder o tempo é perder o momento exato. É claro, que é possível ganhar tempo, quem que nunca fez isso para conseguir realizar alguma coisa? E é possível também construir o seu tempo, o momento perfeito, a hora adequada. Esse é o melhor dos tempos, é o tempo sob controle. Assim também acontece nas relações amorosas, ou na possibilidade de relação amorosa. Perder o tempo, ou não ganhar tempo, ou não conseguir controlar o tempo, tem sérias chances de insucesso. Mas saibam de uma coisa: o tempo que dá certo mesmo é aquele que cada segundo segue o batimento do coração. O primeiro amigo de Laura que se manifestou não conseguiu entender isso. O tempo passou.&lt;br /&gt;Ao ouvir aquelas palavras, o pai de Laura ia ficando mais tranqüilo, percebendo que sua filha fora capaz de despertar os mais sublimes sentimentos, que havia mais pessoas nesse mundo que a amavam. E mesmo que ele não estivera nos últimos anos ao seu lado, havia pessoas que dela gostava. O outro homem que ali se encontrava, ao ouvir cada uma das palavras do primeiro amigo que se manifestara, ia ficando impaciente, mas tinha a preocupação de não demonstrar. Aos poucos foi contorcendo seu corpo, como se quisesse se abraçar, com os olhos cheios de lágrimas, até que elas começaram a escorrer pela sua face. Tornou-se visível que aquele homem se incomodou com aquele relato. Em desespero, saiu correndo pela sala até o elevador, que se encontrava parado naquele andar. Foi embora para nunca mais ser visto pelas pessoas que mais amaram a mulher que fora esfaqueada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Adaptação do conto "Duzentos e vinte e cinco gramas", de Rubem Fonseca)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-3753961340775605017?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/3753961340775605017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/04/dor-partida.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/3753961340775605017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/3753961340775605017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/04/dor-partida.html' title='DOR PARTIDA'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-7232804596967856070</id><published>2009-03-15T22:55:00.002-03:00</published><updated>2009-03-20T12:17:29.144-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Com verso e reverso'/><title type='text'>APENAS UMA GOTA NO OCEANO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Perto de meus amigos me sinto pequeno&lt;br /&gt;É uma pequenez que ultrapassa meu ser,&lt;br /&gt;Que revela por vezes inocência e ingenuidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequenez essa que dar vazão à espontaneidade,&lt;br /&gt;Sem a preocupação das conseqüências do falar,&lt;br /&gt;Mas entendido como maldito&lt;br /&gt;Que expressa a verdade, onde menos se quer encontrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequenez que se distrai com que há de mais singelo,&lt;br /&gt;Como a criança que se encanta pelas cores do arco-íris toda vez que o vê&lt;br /&gt;Ou pelo vôo dos pássaros quando desfilam na passarela da liberdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequenez que também me faz chocar com toda forma de perversidade,&lt;br /&gt;Por desnaturalizar as tragédias ocultas da vida e reacender o sentimento de indignação,&lt;br /&gt;Como a criança que vê uma briga e começa a chorar&lt;br /&gt;Ou um cachorro machucado e passa a se preocupar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentimento existente neste pequeno ser&lt;br /&gt;É tão grande que extravasa o seu tamanho&lt;br /&gt;E, ao alcançar a grandeza de meus amigos,&lt;br /&gt;Revela a gota no oceano de nossa amizade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;(Para Flávio, Wendell, Joisa, Felipe e Vicente)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-7232804596967856070?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/7232804596967856070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/03/apenas-uma-gota-no-oceano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/7232804596967856070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/7232804596967856070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/03/apenas-uma-gota-no-oceano.html' title='APENAS UMA GOTA NO OCEANO'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-5232135873460205946</id><published>2009-03-15T22:47:00.004-03:00</published><updated>2009-03-15T22:58:48.750-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Com verso e reverso'/><title type='text'>A Realidade</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A realidade bate-nos a porta todos os dias&lt;br /&gt;Coloca-se nos nossos caminhos, em romaria,&lt;br /&gt;Como uma pedra que nos leva a tropeçar&lt;br /&gt;E ser percebida mesmo que não queiramos visualizar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa realidade tão real e concreta&lt;br /&gt;Que incomoda e nos desperta&lt;br /&gt;Não é a mesma para todos nós&lt;br /&gt;É como se a percebêssemos a sós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade que percebemos&lt;br /&gt;A realidade que ignoramos&lt;br /&gt;Existe dentro de nós&lt;br /&gt;Mesmo quando nos corrói&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos então num mundo de imaginação?&lt;br /&gt;Onde cada um constrói a sua situação?&lt;br /&gt;Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade que existe em nós&lt;br /&gt;Mesmo que percebemos a sós&lt;br /&gt;Só é possível porque é externa&lt;br /&gt;Não é uma invenção interna &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Só existe internamente&lt;br /&gt;Expressa em nossas mentes&lt;br /&gt;Quando está fora da gente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(...)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-5232135873460205946?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/5232135873460205946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/03/realidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/5232135873460205946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/5232135873460205946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/03/realidade.html' title='A Realidade'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-4839172419199106771</id><published>2009-01-19T10:16:00.001-02:00</published><updated>2009-01-19T10:20:14.616-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversa séria'/><title type='text'>Introdução da minha Dissertação de Mestrado</title><content type='html'>Por volta do final da década de 1970, nascia o décimo filho de Dona Teresa no norte do Estado de Goiás, hoje atual Estado do Tocantins, analfabeta e sem marido, porque este havia morrido recentemente em acidente de caminhão. Aquele bebê não poderia ter idéia das transformações que estavam ocorrendo no mundo e no Brasil, que de algum modo lhe afetaria, nem aquela senhora não poderia se dar conta das mudanças em curso. O que sabia e lhe incomodava era que precisava criar seus filhos e dar a eles uma vida melhor que ela tivera. Esse era o seu desejo e isso se tornou sua inspiração.&lt;br /&gt;A população de modo geral é muito solidária. E o fato de Dona Teresa ter dado à luz uma criança que ficou órfã de pai e tendo que criar 10 filhos comoveram as pessoas que colaboraram com ela para que pudesse alimentar seus filhos. O grande paradoxo é que com essa situação muita ajuda foi oferecida o que proporcionou a essa mulher um dos momentos de maior abundância até então em sua vida.&lt;br /&gt;Alguns dos filhos de Dona Teresa já se encontravam em idade de trabalhar. E logo que conseguiram encontrar emprego as condições de vida melhoravam, de modo geral, para todos da família. Mas essa melhora ainda não significava qualidade de vida. Sabia aquela mulher que era preciso buscar outras alternativas para que além de sobreviver, pudesse viver uma vida com dignidade.&lt;br /&gt;Por isso, anos mais tarde, por volta de 1984, tomou a decisão de se mudar para a capital. Essa decisão constrangia a todos, porque não poderiam imaginar como uma mulher analfabeta conseguiria sobreviver na cidade grande. Mas, com a decisão tomada, não voltou atrás, colocou os poucos móveis que possuía num caminhão “toco” e seguiu adiante.&lt;br /&gt;Ao chegar a Goiânia se dirigiu para um bairro da periferia da cidade, onde apenas a linha de ônibus era asfaltada, era poeira quando fazia sol e lama quando chovia. Era tanta gente naquele bairro que os ônibus saiam de lá sempre lotados. Num primeiro momento, alugou um barracão para morar até conseguir um lote, doado pelo governo, onde construiu sua casa, a qual pode depois vendê-la para comprar outra naquele primeiro bairro que havia morado na capital.&lt;br /&gt;Logo seus filhos conseguiram encontrar emprego, o que possibilitou aumento de renda na família. Ela trabalhava também numa escola estadual, pois tinha vindo transferida daquele município do norte de Goiás. Os filhos mais novos, inclusive aquele que não conheceu o pai, já estavam estudando, pois Dona Teresa acreditava que uma vida melhor só poderia ser alcançada através dos estudos, estudos que ela não teve, mas não viveria satisfeita se seus filhos não tivessem também.&lt;br /&gt;Assim, a vida de Dona Teresa foi se organizando, alguns filhos começaram a casar e pararam de estudar, mas já tinham de onde tirar seu sustento. Outros filhos continuaram estudando, o que muito orgulhava aquela senhora, que não conseguia entender como foi possível tratar com dignidade cada um dos filhos. Nenhum deles se tornou marginal. Todos obtiveram um rumo na vida.&lt;br /&gt;Agora são seus filhos que batalham para conseguir um lugar para morar. A vontade é de morar perto da mãe, mas nem todos conseguem porque uma habitação no bairro de Dona Teresa é muito onerosa. Alguns deles para conseguir um lugar para morar terão que ir para algum bairro mais longe ainda, ou até mesmo para algum município vizinho. Mas estão em melhores condições de encaminhar esses problemas do que teve sua mãe nos idos dos anos 80.&lt;br /&gt;Hoje Dona Teresa vive a grata satisfação de cuidar de sua casa, porque já se aposentou; ir à igreja, porque ela é muito religiosa; e se preocupar com os netos, porque os filhos já estão criados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de Dona Teresa, apesar de ilustrativa, reflete um dos momentos em que o crescimento populacional de Goiânia se realizava com muita intensidade, tendo como um dos principais motivos o processo migratório. Morar na cidade grande, além do status que isso causava, significava também perspectivas melhores de vida. O sonho de uma vida melhor possivelmente deu certeza a muita gente que poderia migrar para a capital. A perspectiva da vida no interior que dependia da agricultura já não assegurava as condições de sobrevivência para boa parte das pessoas. O emprego no meio rural tendeu a diminuir relativamente.&lt;br /&gt;Quem migrava para a cidade grande em busca de uma vida melhor, mas sem qualificação profissional ou com nível reduzido de escolaridade, tendia a se situar nas franjas da cidade, onde o aluguel era mais barato ou a possibilidade de conseguir comprar um lote ou mesmo uma casa se configurava com mais facilidade. O fato é que esses fatores contribuíram para a expansão da área urbana de Goiânia, fazendo com que seu crescimento transbordasse para outros municípios, que passaram a acolher boa parte da população migrante, quando as condições de aquisição de moradia na capital se tornaram reduzidas.&lt;br /&gt;O governo, em muitos momentos, sentiu-se pressionado a oferecer moradia para a população ou dar a elas condições para que pudessem adquirir. Assim, surgiram diversos programas habitacionais, alguns mais significativos, outros menos, até que o padrão de renda da população tendeu a se elevar e fez com que o capital imobiliário passasse a ampliar seu leque de atuação e incorporasse a esse mercado segmentos sociais, que antes não tinham condições de determinar demanda efetiva. Os que não conseguiam adquirir imóveis na capital ou em áreas mais próximas do centro da cidade, devido ao seu valor, tiveram que mudar para áreas mais afastadas ou até mesmo para outros municípios.&lt;br /&gt;É nesse sentido, que o mercado imobiliário passa a atuar de modo a atender diversos segmentos sociais. Nas décadas de 1970 e 1980, quando a legislação urbana era mais rígida e exigia que o loteador provesse a infra-estrutura, poucos foram os loteamentos aprovados. Na década de 1990, quando a legislação urbana foi relaxada, Goiânia viu explodir o número de loteamentos e, com isso, diversos segmentos de renda passaram a ser incorporados no mercado imobiliário para assegurar demanda efetiva em relação à oferta que estava sendo feita.&lt;br /&gt;O que se observa é que, no momento em que os municípios adjacentes à capital passam a receber boa parte da população que não tinha condições de viver nessa cidade, o poder público colabora com o capital imobiliário, possibilitando que este tenha menores custos na produção da mercadoria que oferece, obtendo assim maior rentabilidade. Além disso, o capital imobiliário se utiliza de outras estratégias para aumentar sua lucratividade. Uma das mais emblemáticas é a agregação de valor ao loteamento que será lançado. Isso é feito normalmente com a construção de equipamentos públicos próximos a área do loteamento. Exemplo disso pode ser conferido com a construção da sede da Prefeitura num local que só mais tarde veio a ser construído alguns condomínios horizontais fechados de alto padrão.&lt;br /&gt;Por outro lado, à medida que a cidade cresce e sua população passa a se estabelecer economicamente, alguns equipamentos privados são ampliados para outras regiões da cidade, possibilitando valorização das áreas próximas a estes equipamentos, como são os casos de bancos, shopping centers e hipermercados. Os empreendimentos imobiliários que são lançados, depois que essa área se valorizou, passam a ter um preço muito mais alto do que teria caso não houvesse a existência desses equipamentos. Mas isso só ocorre quando a população passa a ter condições de demandar esses novos produtos que lhe são ofertados.&lt;br /&gt;O poder público colabora de outra forma com capital imobiliário quando aquele, para executar sua política habitacional, lança loteamentos muito distantes da área urbana construída. Isso faz com que ele seja obrigado a levar infra-estrutura para estes bairros, o que possibilita redução de custos para os loteadores privados das áreas intermediárias, ao mesmo tempo em que torna o seu imóvel mais valorizado.&lt;br /&gt;Todas essas formas de ação do capital imobiliário, que, por muitas vezes, recebe a colaboração do poder público, dão feições particulares ao espaço urbano. Entender o modo como ocorre a produção recente do espaço urbano é o objetivo central deste trabalho. Para que isso ocorra, torna-se necessário que essa explicação esteja fundamentada em base teórica. Neste sentido, além de várias outras contribuições, este trabalho assentou sua análise no conceito de externalidade ou efeito de exteriorização, utilizado por David Havey, e na perspectiva conceitual de Pierre Bourdieu, em que se baseia o estilo de vida das pessoas e, por conseguinte, suas condições objetivas segundo sua posição ocupada na estrutura social, o que possibilita compreender como as pessoas segundo essas características se distribuem no espaço urbano.&lt;br /&gt;Para tanto, tornou-se necessário que se fizesse uma análise das transformações sócio-econômicas no mundo e no Brasil que tivesse rebatimento na estrutura urbana e, em particular, no contexto da Região Metropolitana de Goiânia. Isso se colocou como uma necessidade à medida que se considerou que para compreender a produção do espaço urbano era importante compreender os motivos que levaram aquela situação. Neste caso, a compreensão da estrutura sócio-econômica, bem como suas mudanças, com destaque para a análise da estrutura populacional, mostrou-se relevante para a compreensão do caso particular de Goiânia. Esta discussão ocupa o primeiro capítulo deste trabalho.&lt;br /&gt;Houve a preocupação, todavia, de analisar Goiânia no contexto de sua Região Metropolitana, uma vez que aquilo que ocorre nesta cidade afeta seus vizinhos mais próximos e, por outro lado, dada as condições de oferecimento de serviços nesses municípios Goiânia também é afetada pelo seu entorno, não seria mais possível interpretar os processos sociais ocorridos na capital desvinculada do seu contexto metropolitano.&lt;br /&gt;Assim, tornou-se necessário compreender como é o padrão de organização sócio-espacial da Região Metropolitana de Goiânia, para que se pudesse a partir disso analisar as diferenças na estrutura urbana, bem como nas condições de vida das pessoas que se localizam em cada lugar da cidade. Para tanto, utilizou-se da metodologia elaborada pela Rede Observatório das Metrópoles, tendo em vista que nela se relaciona a estrutura social com o território urbano, conferindo uma tipologia sócio-espacial. Essa tipologia mostra as diferenças existentes no espaço urbano, tomando-se como proxy da estrutura social uma hierarquia socioocupacional que tem como variável principal a ocupação de trabalho, obtido pelo Censo Demográfico do IBGE. Com base nessa tipologia, tornou-se possível a avaliação das condições de renda, escolaridade e de moradia das pessoas, pois essas variáveis são das mais importantes para definição da qualidade de vida das pessoas. E isso foi realizado no segundo capítulo deste trabalho.&lt;br /&gt;O terceiro capítulo, por sua vez, ao tomar por base a compreensão das transformações sócio-econômicas que afetaram a dinâmica urbana e o padrão de organização sócio-espacial da Região Metropolitana de Goiânia, passou a analisar algumas formas de intervenção no espaço urbano pela iniciativa privada, com a colaboração do poder público, principalmente referente à construção de novos empreendimentos imobiliários, como habitação unifamiliar, habitação coletiva e a construção de comércio em Goiânia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-4839172419199106771?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/4839172419199106771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/01/introduo-da-minha-dissertao-de-mestrado.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4839172419199106771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4839172419199106771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/01/introduo-da-minha-dissertao-de-mestrado.html' title='Introdução da minha Dissertação de Mestrado'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-4398266937294190954</id><published>2009-01-18T10:46:00.000-02:00</published><updated>2009-01-19T10:03:13.645-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Com verso e reverso'/><title type='text'>Poema da Lata</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A história vivida, contada, encantada, virou sonho.&lt;br /&gt;O sonho vivido, sentido, narrado, virou história.&lt;br /&gt;História e sonho se confundem em outros sonhos e histórias.&lt;br /&gt;Sonho e história fazem nova história e despertam novos sonhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Os valores que possuía o sobrevivente da guerra urbana,&lt;br /&gt;Remanescente do que dizem ser a primeira favela brasileira,&lt;br /&gt;Impressionavam o jovem de olhos miúdos,&lt;br /&gt;Que atento às suas histórias e causos,&lt;br /&gt;Energizou suas esperanças de transformação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu, sentiu, aguardou o seu retorno,&lt;br /&gt;Quando não esperava mais o reencontro,&lt;br /&gt;Surpreendeu-se com o inimaginável,&lt;br /&gt;Com o desprendimento material de quem nada tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebeu que mesmo na pobreza,&lt;br /&gt;Quiçá miséria,&lt;br /&gt;Há espaço para valores distintos,&lt;br /&gt;Para entender que há questões que valem mais,&lt;br /&gt;E obviamente isso não provém da miséria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia posterior, com o sentimento à flor da pele,&lt;br /&gt;Relatou para os companheiros que quer ver na mudança pretendida,&lt;br /&gt;Todo o sentimento ali vivido,&lt;br /&gt;Buscava eco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não se controla o que daí resulta,&lt;br /&gt;A história vivida, contada, encantada, virou sonho.&lt;br /&gt;O sonho vivido, sentido, narrado, virou história.&lt;br /&gt;História e sonho se confundem em outros sonhos e histórias.&lt;br /&gt;Sonho e história fazem nova história e despertam novos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem de valores, roupa preta, pai,&lt;br /&gt;Catador de latas,&lt;br /&gt;Virou sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Flávio Chedid e Marcelo Ribeiro) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-4398266937294190954?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/4398266937294190954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/01/poema-da-lata.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4398266937294190954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/4398266937294190954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/01/poema-da-lata.html' title='Poema da Lata'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2929277025387253404.post-1230553114237234930</id><published>2009-01-18T10:40:00.000-02:00</published><updated>2009-01-19T10:04:44.726-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Com verso e reverso'/><title type='text'>Inversão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;De pés no chão e cabeça no ar&lt;br /&gt;É como estar preso numa gaiola sem poder voar&lt;br /&gt;É se ligar ao passado e não conseguir avançar&lt;br /&gt;É sofrer influências ideológicas (religiosas) e não se desnudar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor seria que os pés voassem&lt;br /&gt;Ou que pisassem num rio e o chão não encontrassem&lt;br /&gt;Que a ousadia não fosse impedida pelo medo&lt;br /&gt;Que a imaginação não encontrasse nenhum segredo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria da cabeça a preocupação de se ligar ao chão&lt;br /&gt;Com os olhos atentos sem perder a imaginação&lt;br /&gt;Fazer uso da fala comprometida com a vida&lt;br /&gt;Sentir o cheiro de terra e ouvir a voz (e)terna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vôos seriam dados em completa liberdade&lt;br /&gt;Saltos pelo tempo transformariam a realidade&lt;br /&gt;Fé e ideologias não obstruiriam a compreensão&lt;br /&gt;Cabeça e pés encontrariam o coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Marcelo Ribeiro)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2929277025387253404-1230553114237234930?l=conversacomverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversacomverso.blogspot.com/feeds/1230553114237234930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/01/inverso-de-ps-no-cho-e-cabea-no-ar-como.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/1230553114237234930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2929277025387253404/posts/default/1230553114237234930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversacomverso.blogspot.com/2009/01/inverso-de-ps-no-cho-e-cabea-no-ar-como.html' title='Inversão'/><author><name>Marcelo Gomes Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12960300297348755540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_qxg8dsv6ff8/ScajzlRZvLI/AAAAAAAAAEc/fAIAuGnJO_g/S220/DSC00195.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
